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IN TENTO

Que nesse novo ano, eu continue percebendo todas as diferenças das paisagens tomadas da mesma janela – cujo tempo já vai chegando ao fim
Que nesse ano novo, eu seja louco o suficiente para atacar (e devorar) qualquer um que acue a fera
Finda a autocomiseração ressentida que me rebaixa à estatura dos vassalos
Que a energia do dia limpo, claro e quente que emerge abasteça para o combate justo dos que não dobram a espinha e não tem senhores, mestres nem feitores
Que o novo ciclo me empurre a dizer verdades, a arrancar máscaras e não temer censuras
Que se findem as mesuras pra corte e que as metralhadoras verbais estejam prontas para as rajadas – cairão os que merecem: por maduros ou podres. Não os puros – estes têm o dom da boa interpretação de coração leve e mente aberta
Que eu nunca esqueça que flores não vencem canhões – até o poeta sabia e fez disso uma crítica à indecisão dos cordões marchando ilusões
Que, no entanto, enquanto nos armarmos possamos também nos amarmos
E que eu possa ser lido não como perigo… sim como o terror dos hipócritas, como a bigorna que esfacela o martelo dos Torquemadas e como a espada que transpassa a garganta dos injuriosos
E, antes de nada dever a ninguém, acertar as contas comigo mesmo por ter vendido meu tempo de vida a fantoches
Assumir as causas, os casos e os causos. Viver de defender a verdade factual contra as narrativas dos oportunistas e carreiristas
Ser quem sou e pagar o preço
“Nada a temer senão o correr da luta, nada a fazer senão esquecer o medo”


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