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A MÃO DE FARACO, COMPOSTA EM 2018, AGORA É LANÇADA COMO SINGLE E NOS SACODE COM A DURA REALIDADE DE QUE AINDA TEMOS MUITA TREVA A ATRAVESSAR

*Por Henri Figueiredo

Foi lançado um single do cantor, compositor e genial mestre das cordas Márcio Faraco, gaúcho de Bagé, filho de gaúcha com pernambucano. Marcio viveu a infância no Recife e a juventude no Rio de Janeiro até que, em 1992, mudou para Paris e de lá só sai para turnês pela Europa – onde lota teatros e casas de espetáculos com os amantes do melhor da música brasileira.

Faraco é mais conhecido fora do Brasil. Consta que foi o Chico Buarque que o incentivou a começar a escrever suas próprias letras, instrumentista virtuose que sempre foi. Humanista, diria até um iluminista contemporâneo, falam que tem personalidade difícil e é muito reservado.

Essa linda canção de luta pode soar um tanto fora de tempo, sendo relançada só agora como single no Spotify – especialmente para nós, da Resistência Democrática, depois da vitória eleitoral em âmbito nacional contra o fascismo na mais difícil eleição da história brasileira, em 2022. Na terceira audição da canção me dei conta, um tanto chocado com a constatação, de que temos de fato um longo caminho de dor e loucura numa noite escura em que não podemos nos perder.

Acho que esse relançamento, agora no streaming, RESSIGNIFICA, em 2023, a frase que adotamos como autodefesa e unidade diante da barbárie instalada desde 2016 e aprofundada depois de 2019: “NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM”. Eu ouço como um alerta, não tardio, porque Faraco, bardo, lembrava à época: vão tentar dividir para conquistar – e isso, hoje, continua em curso com nossa frente ampla se digladiando por dentro. Não podemos nos perder. Ouçam essa preciosidade à altura lírica de Vinicius e Chico; da cepa harmônica e de arranjo que lembra Tom Jobim, Aldir e P.C.Pinheiro, Gonzaguinha, Belchior, Baden Powell – aliás “Berimbau” é lembrada numa frase musical. OUÇAM ESSA PRECIOSIDADE! O vídeo no primeiro comentário. Procurem no Spotify.

Mão na Mão

(Márcio Faraco)

As águas nos olhos do seu Francisco

O chão vermelho de Salvador

João e José juntos correm risco

Ela não voltou da noite de horror

Pobres, índios e negros na mira

São sempre os mesmos suspeitos

O menino corre, o drone atira

E a televisão diz: “bem feito!”

Ninguém solta a mão de ninguém

Eu sei que a noite será escura

Um longo caminho, de dor e procura

Mas não podemos nos perder

Vão nos ouvir, vão nos perseguir

Vão querer nos calar, vão nos reprimir

Vão delatar, vão espionar

Vão tentar dividir para conquistar

Quando o silêncio chegar

Querendo nos impedir

Nunca deixaremos de cantar

Mão na mão vamos resistir

Ninguém solta a mão de ninguém

Eu sei que a noite será escura

Um longo caminho, de dor e procura

Mas não podemos nos perder

Ninguém solta a mão de ninguém

Eu sei que a noite será escura

Um longo caminho, de dor e loucura

Mas não podemos nos perder

Ninguém solta a mão de ninguém

Ninguém solta a mão de ninguém

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Ficha Técnica

Márcio Faraco – violão e voz

Julio Gonçalves – percussão

Ricardo Feijão – baixo

Zé Luiz Nascimento – percussāo

Robson Galdino – cavaquinho

Cacao de Queiroz – clarineta

Sérgio Galvão – clarineta

Ana Guanabara – coro

Virgínia Cambuci – coro

Naïa Sotolongo – coro

Gravação

Studio Robsound/Paris

Videoclipe

Direção e produção

João Pedro Nogueira

© Copyright Márcio Faraco – 2018


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