
7 de abril — OS EXTREMOS, À ESQUERDA E À DIREITA, NOS DETESTAM E TENTAM CONTROLAR. Os pragmáticos da política adoram o nosso trabalho quando são oposição mas criam obstáculos para o mesmo trabalho quando estão no poder. Os conservadores têm ojeriza porque a profissão teve origem liberal – ainda que hoje a imensa maioria dos profissionais seja assalariada. As polícias, o exército e as forças de repressão estatal, em geral, nos desprezam e nos temem, ao mesmo tempo, numa dicotomia esquizofrênica. Traficante de favela e corrupto do colarinho branco sempre que podem executam sumariamente. A maioria dentre nós, na mídia comercial do Brasil, chama o patrão de “colega”.
Vou “chupar”, como dizíamos nas redações dos anos 90, um trecho inteiro do grande escritor, psicanalista e teólogo Rubem Alves (1933–2014) para dizer algo duro. Diz Alves: “Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre o que me calei:”
Digo eu, há uma casta que cresceu de maneira acelerada entre 2000 e 2020 que considera que “ser jornalista” é “ser jornalista diplomado” e que se acha superior ao trabalho do ilustrador, do fotógrafo e do cinegrafista (todos também legalmente da “categoria”); que despreza o radialista; que odeia o ‘precário’; que reproduz um corporativismo míope e de um elitismo podre; que escreve mal, apura mal, interpreta mal, investiga mal, mas – se estiver em cargos públicos nos concursos feitos principalmente pela Esquerda – ganham tanto quanto qualquer experiente editor da mídia comercial tendo a mamata de um terço da carga horária e um quinto da cobrança de entrega. Ah, sim! Temos também os jornalistas-barnabés. Evidente que as relações de trabalho aviltantes devem ser combatidas. Mas também acho escandaloso que se cale para os privilégios dessas castas incrustadas no aparato do Estado, em todas as esferas, produzindo qualquer coisa entre as Relações Públicas, o Marketing Político e a Publicidade e Propaganda. Menos Jornalismo.
Cada vez mais as universidades preparam para operar sem pensar e nem pensar em questionar ‘o mercado’. Ainda assim, nossos sindicatos e federação (que são grandes associações de assessores de imprensa, muito mais do que de ‘profissionais de campo’) continuam numa guerra fratricida e corporativista pela ‘obrigatoriedade do diploma’ como se expurgo fosse o mesmo que panaceia.
Você sabe por que se comemora o Dia do Jornalista em 7 de abril?
A versão mais consistente para a escolha desta data como Dia do Jornalista remonta ao período do Império: a data é comemorada em 7 de abril em homenagem a João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, em 22 de novembro de 1830; essa morte gerou o movimento que levou à abdicação de D. Pedro I, no dia 7 de abril de 1831. Por causa disso, a data foi escolhida para marcar a fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por Gustavo de Lacerda, em 1908. E a própria ABI foi quem a instituiu como Dia do Jornalista nas comemorações de um século da abdicação de D. Pedro I, em 1931.
É emblemático que, no Brasil, o Dia do Jornalista seja o dia da renúncia (ou seja, da queda) do nosso primeiro governante como país ‘independente’. Noutras palavras: o golpismo parece mesmo que está no DNA do jornalismo do Brasil. SQN!
Lembro agora Claudio Abramo, Nando d´Ávila, Eliane Brum, Vladimir Herzog, Adelmo Genro Filho, Vito Giannotti, Cynara Menezes, Katia Marko, João Maneco, Evania Reichert, José Otávio (Dedé) Ferlauto e tantos outros, amigos, amigas, ou distantes, que me inspiraram e inspiram na profissão – aqui fisicamente presentes ou presentes em espírito no ofício.
Apesar de tudo, aos meus colegas, FELIZ DIA D@ JORNALISTA!
Henri Figueiredo