Tempus fugit

Início » Artigos publicados por henrifigueiredo (Página 10)

Arquivo do autor:henrifigueiredo

O fim do hyperlink? por Hossein Derakhshan

Agora, com aproximadamente 1.5 bilhões de usuários ativos mensalmente e um crescimento particular em lugares menos desenvolvidos, o Facebook é a Internet para muitos — 58% dos Indianos e 55% dos Brasileiros acreditam que o Facebook É a Internet, de acordo com uma pesquisa publicada pelo Quartz. Para mim, um Rip Van Winkle de 2015, esse espaço linear, centralizado, passivo e de pro entretenimento, não é a Internet/Web que eu conheci. É algo muito mais próximo à televisão. As consequências disso são graves.

Hoder

No último mês de novembro, saí de uma prisão iraniana após seis anos. A notícia que mais me chocou após isso? Não foi a conquista do Presidente Barack Obama em reconhecer o direito do Irã à tecnologia nuclear pacífica, nem a morte do líder do partido NDP, tampouco o abrupto desaparecimento da embaixada canadense em Teerã. Foi a morte da Web como eu a conheci.

Em meados de 2000, imigrei para o Canadá, e de um pequeno apartamento alugado em Toronto, democratizei a escrita em minha terra-natal introduzindo, facilitando e promovendo os blogs.

Após o trágico ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001, me peguei lendo diários online para entender o significado daquilo para americanos. Eu era um jornalista tecnológico no Irã e os blogs me ajudaram a me reconectar com os leitores de minha coluna diária em um jornal reformista Iraniano. Comecei meu próprio blog e ajudei muitos leitores do Irã a começarem o mesmo.

Um ano após esses acontecimentos, blogar ficou tão na moda no Irã, quanto hoje em dia são os hipsters e suas barbas; Me nomearam blogfather (um pai dos blogs). Até mesmo a mídia estatal nutriu isso.

Voltando para Tehran em dezembro de 2008, fui escoltado em um carro. Isso foi um mês após minha prisão, resumidamente, por minhas atividades na Internet. No rádio do carro, eu ouvi sobre um concurso de blogs chamado “The Scent of Apple” para comemorar o Imã Hussein, o neto do Profeta Mohammed e a figura central do Islã Shia. Eu sorri, orgulho por aquele momento de blogfather.

Seis anos depois, em novembro de 2014, fui perdoado pelo Aiatolá Khamenei e liberto da prisão de Evin. Desde então, vim a perceber que aquilo a que dediquei muitos anos de minha juventude se foi: Muitos Blogueiros se moveram para redes sociais, transformando a blogosfera Iraniana em um cemitério.

O pior é que Mark Zuckerberg provou não ser um fã de links, ou hyperlinks. Com o Facebook, ele não encoraja que você crie links. No Instagram, ele simplesmente os proibiu. Ele está espremendo o hyperlink, portanto, matando a rede de textos externos interconectada e descentralizada conhecida por World Wide Web.

O Facebook gosta que você permaneça nele. Os vídeos já são embutidos no Facebook, em breve, artigos externos também serão embutidos também, com o projeto de “Instant Articles” (Artigos Instantâneos). A visão do Sr. Zuckerberg é a de um espaço insular que consuma toda sua atenção — para que ele a venda para os anunciantes.

Agora, com aproximadamente 1.5 bilhões de usuários ativos mensalmente e um crescimento particular em lugares menos desenvolvidos, o Facebook é a Internet para muitos — 58% dos Indianos e 55% dos Brasileiros acreditam que o Facebook É a Internet, de acordo com uma pesquisa publicada pelo Quartz.

Para mim, um Rip Van Winkle de 2015, esse espaço linear, centralizado, passivo e de pro entretenimento, não é a Internet/Web que eu conheci. É algo muito mais próximo à televisão.

As consequências disso são graves.

Mais e mais leitores de mídias digitais estão migrando para o Facebook e cada vez menos pessoas visitam as páginas da Internet diretamente. Dessa forma a mídia digital e autores independentes perderam a renda proveniente de propagandas, e ainda assim, são coagidas a pagar para “Impulsionar” seus artigos no Facebook para que possam alcançar a sua real audiência.

A mídia digital foi forçada a gerar histórias tolas e “virais” para sobreviver, causando um golpe severo no jornalismo sério.

E talvez mais importante, como resultado dessa competição de popularidade, visões minoritárias cada vez engajam menos pessoas. Isso é particularmente alarmante em um mundo enfrentando a séria ameaça de grupos religiosos e nacionalistas radicais. O algoritmo secreto do Facebook tende a nos abastecer com mais do que já gostamos, reforçando nossos pontos de vista enquanto reduz nossa exposição a ideias desafiadoras e divergentes.

A recente reestruturação corporativa do Google, para se focar em seus serviços de Internet é uma boa notícia para qualquer um que espere que a Internet seja qualquer coisa diferente da televisão. O Google construiu um império intelectual, mesmo que comercial, baseado no poder do hipertexto. Mesmo com sua busca pelo monopólio e desrespeito pela privacidade, ele ainda respeita os hyperlinks, uma lei básica da Internet. E ele tem a capacidade de por fim a essa perigosa tirania do “popular”.

Ainda não ouvi de Tim Berners-Lee, que inventou o World Wide Web (A Internet) para saber quão desapontado ele deve estar. Mas visitei o site do concurso “Scent of Apple” e descobri que agora eles apenas aceitam publicações do Instagram ou do Facebook — não mais blogs. É muita tristeza para este blogfather em Tehran.

Por mais que eu esteja feliz com o fim da guerra econômica injusta contra o Irã, após seus acordos nucleares com os poderes mundiais, me parte o coração a negação da Internet/Web, um dos produtos mais promissores da inteligência humana de para nossos tempos conturbados.

–

Hossein Derakhshan escreve sobre a nova mídai e o Irã em hoder.com e está trabalhando no ‘Link-age’ um projeto da ‘New Media Society’ em Tehran.

Artigo originalmente publicado em www.theglobeandmail.com, compartilhado no ‘Medium’, traduzido e adaptado para o Português aqui, por mim [Gabriel Gastaldo], um escritor tão preocupado quanto o autor desse texto com a “idiotização” que tem moldado a Internet atual.

Quem financiou (ao menos oficialmente) as eleições de 2014?

Transparência

Seja curioso, seja curiosa. Busque aí o nome dos candidatos em que você votou ou que você conhece.

As ferramentas de Transparência Política, da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) têm como objetivo mostrar dados públicos sobre política de forma interativa para gerar informação e permitir análises. Promover a transparência facilita o debate público, a democracia e a inclusão. Informação é essencial para o cidadão fazer escolhas durante as eleições e monitorar seus representantes entre elas.

http://dapp.fgv.br/transparencia-politica/

Mas você pode também pesquisar direto no sistema da Justiça Eleitoral – que disponibiliza os dados das eleições de 2014 e de 2012.

http://www.tre-rs.jus.br/index.php?nodo=13321

Teoria do Jornalismo: “bode que é bom berra na sala!”

“Já que agora todo mundo publica, o Jornalismo precisa mais do que nunca apurar, entrevistar, conferir e cruzar dados, chancelar informações, fazer perguntas, muitas perguntas; precisa pautar a sociedade, precisa dizer a boa nova, mas também revelar e interpretar o que está por trás, esquivando-se da enxurrada incessante de amenidades. É neste admirável mundo novo que o Jornalismo precisa renovar permanentemente o seu compromisso ético de colocar o bode na sala.”

Avatar de rvillar21Blog do Villar

Roberto Villar Belmonte*

Blog

Prezado admirável mundo novo, do tudo ao mesmo tempo agora, das torcidas fanáticas de avatares, dos ciborgues em conexão compulsiva, dos terabytes de memória na ponta dos dedos, das intermináveis versões do mesmo, das muitas – mas tantas vezes inexploradas – possibilidades do diferente, das solidões interativas em múltiplas plataformas de auto publicação, dos amigos que nunca conheceremos, qual o papel que reservas para o Jornalismo neste teu mundo de fragmentos?

Ver o post original 325 mais palavras

PSDB e Eduardo Cunha arquiteram golpe em reunião secreta no último sábado no RJ

A jornalista Natuza Nery, que assumiu a coluna Painel, revelou um encontro secreto, ocorrido neste sábado, em que se traçou o roteiro do golpe paraguaio contra a presidente Dilma Rousseff.

Avatar de redação BP1Brasil Página 1 - Jornalismo independente, notícia sem manipulação

images-cms-image-000460156

A jornalista Natuza Nery, que assumiu a coluna Painel, revelou um encontro secreto, ocorrido neste sábado, em que se traçou o roteiro do golpe paraguaio contra a presidente Dilma Rousseff.

O encontro reuniu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o líder da bancada do PSDB, Carlos Sampaio (PSDB-SP), e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Publicidade

Nele, os três combinaram o seguinte roteiro: Cunha rejeitará todos os pedidos de impeachment, menos o apresentado por Hélio Bicudo, que será turbinado com uma manifestação do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, que atua junto ao Tribunal de Contas da União, alegando que as chamadas ‘pedaladas fiscais’ prosseguiram em 2015.

Assim, Cunha terá um argumento para dizer que aceitará uma denúncia ancorada em fatos do atual mandato, e não do anterior – o encontro secreto confirma que a nota da oposição, pedindo o afastamento de Cunha, não passa de encenação.

Ver o post original 235 mais palavras

A câmera de McCullin nos leva para o meio dos horrores

“É uma daquelas histórias empolgantes. É um documentário a que se assiste com a respiração acelerada. Para jornalistas, então, é irresistível.”

Avatar de mariomarcos

Dom McCullin/ReproduçãoRobert Capa costumava dizer que se a foto não mostrava qualidade é porque o fotógrafo não tinha chegado perto como deveria. Ele seguiu este princípio por toda a vida. Desembarcou com os aliados na Normandia, esteve na Guerra Civil espanhola, acompanhou John Steinbeck em uma viagem histórica à então fechada União Soviética, mostrou dramas e celebridades. Chegou sempre tão perto que acabou pisando em uma mina, na Guerra da Indochina, dia 25 de aio de 1954. Tinha apenas 41 anos. O britânico Donald McCullin seguiu esta cartilha ao longo da carreira – e sua vida e obra estão mostrados, com absoluta competência pelos diretores David Morris e Jacqui Morris, no documentário McCullin (para quem tem Netflix, é só buscar pelo nome).

É uma daquelas histórias empolgantes. É um documentário a que se assiste com a respiração acelerada. Para jornalistas, então, é irresistível.

aaniPara cumprir aquele mandamento defendido por Capra e…

Ver o post original 332 mais palavras

O governo dos Homens Bons

Fonte: O governo dos Homens Bons

Cynara Menezes: Ao eleitor do PT, um desagravo

10641163_781773275195062_427766571706778136_n

Por Cynara Menezes

Não há ninguém, na atual crise de credibilidade por que passa o governo, que esteja recebendo mais bordoadas de todos os lados do que os eleitores do PT. Não me refiro exatamente à militância ou aos membros do partido, e sim aos cidadãos comuns que apostaram no PT ao longo dos últimos 26 anos, no mínimo, como a legenda capaz de tirar o País do atraso, da miséria, da desigualdade e do colonialismo. O eleitor do PT não tem nada a ver com este circo que se montou nos últimos anos, mas está pagando o pato assim mesmo. O que o eleitor do PT fez além de votar no PT? O nome dele não está em nenhuma investigação, ele não é alvo de delação premiada e não colocou as mãos nos cofres públicos nem para fazer caixa dois, até porque o eleitor é só um carinha que vota. No entanto, é chamado de “ladrão”, de “petralha”, é perseguido em passeatas, é espinafrado nas reuniões de família pelos parentes coxinhas e ridicularizado por velhos amigos nas redes sociais. Volta e meia é acusado de ganhar “pixuleco” do governo e até pão com mortadela para defender o partido, sendo que não é nem sequer filiado a ele.

Qual foi o erro do eleitor do PT? Do que pode ser acusado? De nada. Votou no PT assim como votaria em qualquer outro partido se acreditasse que seria o melhor para o Brasil. A maior qualidade dos eleitores do PT é justamente votar pensando não em si próprio, mas nos outros, em quem necessita mais das ações do Estado. Hoje, aliás, a única coisa que conforta o eleitor do PT é saber que pelo menos a promessa da inclusão foi cumprida. Que gente outrora pobre ascendeu à classe média; que mais negros e oriundos da escola pública entraram na universidade; e que já não tem tanta gente passando fome por aí como antes. Mesmo sabendo exatamente o que estava fazendo quando apertou o número 13 na urna, o eleitor do PT é chamado de “burro” por ter feito esta opção.

A mídia participa e coordena a campanha de difamação do eleitor do PT, ao pintá-lo como um ignorante sem estudo que só vota em quem vota por não saber o que faz, por ser do Norte/Nordeste — ou por receber dinheiro do governo. Foi graças ao preconceito de classe e de origem dos meios de comunicação para com o eleitor do PT que essa concepção de que a esquerda é capaz de vender sua ideologia por alguns caraminguás se disseminou na sociedade brasileira. Perdeu-se o respeito pelo que há de mais sagrado na política: o voto alheio. Ainda que fossem só os beneficiários do Bolsa Família os eleitores do PT, algo matematicamente improvável, este voto seria, ao contrário do que pregam, absolutamente consciente. Não existe voto mais consciente do que o de alguém que não tinha o que comer e que passou a ter comida na mesa: se isto aconteceu por causa de algum governante ou partido, é óbvio que vai querer continuidade.

Avanços sociais

Quem se sente feliz (e não incomodado) ao ver quem nunca estudou estudando, e quem nunca viajou de avião viajando, tampouco pode ser acusado de estar votan do iludido. Está votando porque acredita num determinado projeto de nação. Voto mais consciente, impossível. A situação começa a ficar até mesmo perigosa para o eleitor do PT. Outro dia um cara foi vaiado no avião por estar segurando uma revista considerada “simpática” ao PT. Uma senhora idosa foi chamada de “putinha do Lula” e de “vagabunda” por desafiar uma manifestação anti-Dilma em São Paulo vestida de vermelho.

Quem o cara do avião roubou para ser atacado? E a senhorinha de vermelho, pagou propina a alguma empreiteira? É perfeitamente compreensível a ira da classe média contra a corrupção. O problema é ser uma ira seletiva, contra um só partido, muito embora saibamos que quase todos participaram do butim e que quase todos estão afundados até o pescoço na lamentável forma como são feitas as campanhas políticas no Brasil. A oportunidade que se desenhava, desde o episódio do chamado mensalão, de “limpar” a política, se transformou, porém, numa cruzada para varrer o PT (e a esquerda) do mapa. Se não fosse assim, os pseudoapartidários das manifestações contra o governo também estariam perseguindo eleitores de outros partidos. Melhor ainda: não estariam perseguindo ninguém.

Da esquerda

Não bastassem os ataques da direita e da mídia, o eleitor do PT também sofre com os golpes desferidos pela esquerda. São chamados de “governistas” e acusados de concordar com todos os equívocos da atual administração federal. Alto lá! Votar em alguém não é assinar embaixo de tudo que a pessoa fizer. Votar é indicar um caminho e continuar lutando, pressionando para avançar. Sem pressão, os governos não chegam a lugar algum. Achar que haverá um governante com o qual concordaremos em tudo é uma fantasia. Mas o pior mesmo para o eleitor do PT é ser pisoteado, cuspido, perseguido e xingado, e não
encontrar conforto na própria escolha que fez. Ser esculachado pela mídia, pela esquerda e pela direita não é nada perto da insatisfação crescente
do eleitor do PT com o governo que elegeu. O governo tem se esmerado em agradar aos mercados, aos banqueiros, aos latifundiários, aos empresários
e até ao PMDB, mas o que tem feito para agradar a seus próprios eleitores? O governo parece se esforçar, ao contrário, em desapontar quem votou nele. A tão esperada “guinada à esquerda” do segundo mandato de Dilma não se concretizou. Fala-se em um corte nos ministérios que irá atingir as pastas mais
caras a quem vota tradicionalmente no partido, como as secretarias de Direitos Humanos, das Mulheres e da Igualdade Social. Dilma promete se juntar à defesa do imposto sobre grandes fortunas para acenar a este eleitorado mais fiel, mas este só acredita vendo.

Com tanto tiro, porrada e bomba, o eleitor do PT tem andado cabisbaixo, desenxabido, murcho. Muito menos pelos ataques que sofre por parte de gente cuja opinião não lhe importa a mínima do que pela falta de atenção que tem tido do próprio partido em que se acostumou a votar e que é, no final das contas, o principal responsável pela transformação deste eleitor num pária, num cidadão de terceira classe.

♦ Cynara Menezes é jornalista e editora do blog Socialista Morena (socialistamorena.com.br).

Link original, da Caros Amigos, aqui.

O tempo foge. E eu estou de volta após dias offline.

11391523_908764599162595_6881316926472540042_n

Amigas, amigos. Depois de 12 dias, estou de volta à rede. Foi um período necessário para cuidar de mim, olhar pra vida, fazer balanços interiores e atender às demandas da minha saúde física e mental. Há tempos não ficava tantos dias fora da rede, porque na rede está o meu trabalho. O trabalho, entretanto, não é a única medida da vida, ainda que nos esforcemos para reduzir a experiência de estar vivo à capacidade de produção, de cumprimento de prazos, de atendimento de serviços e de gerar renda. Agradeço aos quem se importaram, se preocuparam e quiseram saber o que havia: agora está tudo bem. Agradeço também aos indiferentes: vocês me dão uma noção mais exata da minha real importância neste mundo, sem ressentimentos. Quem lida com opinião e interpretação dos fatos, muitas vezes não percebe que o Ego fica mais realista que o rei. Um grande abraço virtual a tod@s e vamos em frente.

Para quem tem tempo, coração e alma sugiro um texto do crítico de cinema Pablo Villaça:

“A vida é como uma viagem de avião: sempre amei a decolagem, considerei o voo em si entediante e temi o pouso depois de ler que era a parte mais perigosa da jornada – e o paralelo é claro, já que a parte inicial de nossa passagem por este planeta é excitante e repleta de descobertas à medida em que vemos o mundo a partir de uma nova perspectiva que, com o tempo, se torna monótona e cansativa até culminar num desfecho que traz a possibilidade cada vez maior de uma destruição iminente e súbita.

A diferença é que, aqui, sou o único piloto e o único passageiro – e o compartimento de bagagens traz apenas malas e malas de memórias que insistem em corroer a fuselagem do avião, garantindo a impossibilidade de um pouso doce.”

A íntegra aqui.

Maringoni: É legal à beça colorir as fotos do Facebook

Vale muito, mesmo, a leitura. Grande artigo do Maringoni.

Avatar de BoitempoBlog da Boitempo

MaringoniPor Gilberto Maringoni.

É legal à beça colorir as fotos do Facebook! Estamos comemorando uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos.

É medida progressista legalizar a união entre pessoas, qualquer que seja a maneira de se amar.

Não é uma vitória do imperialismo e nem de um governo que massacra países e povos, assim como a conquista dos direitos civis, nos EUA dos anos 1960 também não foi.

As vitórias contra o racismo e a homofobia são vitórias da Humanidade.

A decisão da Suprema Corte dos EUA tem dimensões planetárias, pela posição hegemônica do país no mundo.

A luta pela jornada de oito horas teve seu ponto de virada nas jornadas de Chicago, nos anos 1880. A luta pelos direitos das mulheres tem no país um palco importante.

A música americana – em especial o blues, o jazz e o rock – são ritmos nascidos nas comunidades negras…

Ver o post original 398 mais palavras

DO SER AO PÓ, É SÓ CARBONO. SOLENE, TERRENO, IMENSO. PERENE, PEQUENO, HUMANO

Lenine-carbono

Em 1993, eu tinha 20 anos e chegava pela primeira vez Rio de Janeiro, amando a mulher e a cidade, a cidade e a mulher que foi o combustível para aquela viagem. Naquele ano, aconteceu de eu conhecer muita gente boa da música, do teatro, de televisão. Aqui eu vou falar de uns poucos e essenciais. Aconteceu também de eu fazer a assistência de produção do lançamento de um disco chamado “Olho de Peixe”, de um cantor e compositor pernambucano que já vivia há anos no Rio: Lenine. O disco era um parceria com um cara que estava celebrado como o reinventor do pandeiro na música brasileira: Marco Suzano. Eu já conhecia o Suzano das apresentações do grupo Religare. Conhecer Lenine foi uma das grandes descobertas artísticas da minha vida. Não sou crítico musical, nem literário, nem me especializei nestes anos de jornalismo na área artística. Então vou ser breve, simples. A arte pra mim sempre foi pra fruir. “Olho de Peixe” me abriu caminhos tanto quanto “Velhos Tempos”, do beat Gary Snyder; ou como “Contato”, do Sagan; como Transa, do Caetano (que é, inclusive, do ano em que nasci…). Pano rápido.

Em 1993 também abracei o bloco Simpatia É Quase Amor que, apesar de sair em Ipanema, ensaiava no Jardim Botânico (ou seria Horto?) no mesmo pavilhão que o bloco Suvaco do Cristo. Num ensaio do Suvaco, conheci um adolescente chamado João – um querido! Amável, inteligente que só e, claro, sensível pacas. Filho de Lenine. Pano rápido (again).

Março de 2009, eu de pé numa lateral do Circo Voador, na Lapa, assistia à apresentação de “Labiata” quando se aproximou, buscando um melhor ângulo do palco, o João Cavalcanti, do Casuarina. Nem sei como começamos a trocar ideia sobre os números musicais . Até que eu admiti que a música que mais me pegava no Labiata era “É fogo”… ainda que gostasse muito de “Martelo Bigorna” e “O Céu É Muito” e de quase todo o disco. Naquela conversa descobri que João tinha se graduado em jornalismo… que coisa! Fade in.

Fade out. 2015. Porto Alegre. Vou ver Lenine e o seu “Carbono” no dia 3 de julho, no Opinião. Toda a narrativa anterior foi só pra dizer que a música que mais “me pegou” neste disco é a primeira parceria gravada de Lenine e de seu filho João: “A Causa e o Pó”.

A dureza real de quem é pedra

Que a volúpia do atrito lapida

Esse brilho tenaz que quase cega

É ventura do ventre da ferida

Quem dirá, migalha de sol

Que o brilho é teu apogeu,

Se ofuscado no caldo das estrelas

O brilho se perdeu?

Sou de estrelas a causa e o pó

Sou de estrelas e só

Do ser ao pó, é só

Carbono

Solene, terreno, imenso

Perene, pequeno, humano

Natureza tão solida de tinta

Que o frágil atrito transporta

Esse risco voraz te faz faminta

E a rasura te move em linha torta

O contraste será troféu

Que teu risco alinhavou

Ou vestida mortalha das estrelas