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Trechos do interrogatório que os golpistas omitem, por Henri Figueiredo
Trechos selecionados, e por mim comentados, da transcrição finalizada em 14 de março de 2016 pelas técnicas judiciárias Ivanice Grosskopf e Gisele Becker sobre vídeo do interrogatório (autos nº 500661726.2016.404.7000) ao qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido em 4 de março de 2016, das 8h às 11h35min, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Lula discursa na quadra dos Bancários, em São Paulo, na noite de 4 de março de 2016
As 109 páginas do interrogatório de Lula em 4 de março, conduzido por um delegado da Polícia Federal, no Aeroporto de Congonhas, em cumprimento à ordem do juiz federal Sérgio Fernando Moro da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, e acompanhado por membros do Ministério Público, PRECISA ser traduzido para as principais línguas ocidentais e orientais. Trata-se de uma peça histórica que escancara o fundo do poço em que o Judiciário brasileiro se meteu na mão de concurseiros irresponsáveis que, em vez de honrarem uma carreira de Estado, se deixaram instrumentalizar pela mais baixa campanha de propaganda promovida por setores da mídia brasileira contra um partido, seu governo e suas principais lideranças. Em 109 páginas, há pelo menos três momentos em que Lula titubeia – em duas delas, claramente pelo cansaço e irritação a que é submetido. Mas, muito mais do que compensando, há duas dúzias de momentos em que ele dá verdadeiras aulas de grandeza política com uma simplicidade desconcertante. Nos recortes abaixo, Lula é o “DECLARANTE”.
Primeiro trecho do depoimento de Lula à PF e ao MP, em 4 de março, que vale destacar. Na página 29.

Agora, abaixo, Lula sendo o velho Lula, no início da página 33 de depoimento. Vale a leitura.

Na página 34, até eu fiquei constrangido lendo as perguntas do juiz Moro, feitas pelo delegado para Lula.

Lula sendo o velho Lula, novamente, agora na página 35 (abaixo) desta peça histórica da infâmia jurídica brasileira.

A leitura política mais estimulante que já fiz desde o “O Homem que Amava os Cachorros” do Leonardo Padura. Agora meu destaque para duas falas nas páginas 37 e 38 do depoimento do Lula à PF e ao MP, dia 4 de março, no Aeroporto de Congonhas.

A SIMPLICIDADE DESCONCERTANTE [Página 52]
DELEGADO – Qual é o tipo de hospedagem que o senhor exige nas palestras, quando se desloca?
LULA – As que tem.
Na pag 53 do depoimento de Lula, tive o insight de que ele dá um ótimo fio condutor para o próximo filme sobre a vida dele.
Mais um momento brilhante de Lula em seu depoimento à Polícia Federal no dia 4. E estou apenas na página 54 de 109.

O discurso da criminalização da política, amplificado por décadas pela mídia golpista financiada pela banca, se arraigou a tal ponto nas mentes da classe média e da pequena burguesia brasileira que juízes, promotores e delegados federais (todos em carreiras de Estado) não conseguem nem ser dar conta do quão enviesadas ideologicamente são as suas formulações. Acabaram tomando nas fuças uma resposta à altura de professor de Ciências Sociais dada por um ex-metalúrgico que chegou à Presidência após décadas presidindo assembleias sindicais, plenárias e mesas de debate partidário.

Trecho abaixo recortado da página 107 do depoimento de Lula à PF, 4 de março. Recortei um bloco inteiro. Vale cada palavra.

A leitura da íntegra, e de uma sentada, da peça interrogatória do Lula é melhor do que a 4ª temporada inteira de House of Cards. Ali tem tudo e muito mais: tensão, cinismo, humor, tergiversação, aula de história, A Arte da Guerra e O Príncipe em versão cordel, elipse, raiva, intriga, sarcasmo, ideologia, propaganda e discurso político. Só não tem sentido jurídico. Nenhum! A melhor leitura do ano, disparado. Se fosse escrita em dodecassílabos, seria digna de uma peça de Edmond Rostand!
Crítica Teatral do Teatro dos Patos – A maior manifestação de São Paulo! Prêmio pela Eloqüência da Inexpressividade!
Crítica Teatral do Teatro dos Patos – A maior manifestação de São Paulo!
Prêmio pela Eloqüência da Inexpressividade!
Manifestação nota Zero,
Inexpresiva,
sem ter o q dizer.
Só o boneco do Lula preso.
foto: Agência Estado
O Pato
quem paga?
Você, nariz d pato,
é o Pato em si.
Um Pato Amarelo d Plástico
é o Totem do rebanho
verde Amarelo
da Coréia do Norte do Brasil.
foto: J Duran Machfee / Agência Estado
O Xamã Marx Selvagem
Profetizou:
repetir a história
dá em Farsa.
O Cover é miserável diante da Pompa das Marchadeiras de 64,
d tão sem graça.
Uma farsa
onde a graça
é a total falta de graça.
Mas assim mesmo dá pra quase morrer, mesmo, de rir.
A Burrice encenada na falta de imaginação nas Avenidas do Brasil…
Mas nada se compara à gente feia da Avenida Paulista de Sam Pã
com as caras afirmando: sou burro sim.
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ESTUDO: FÁBRICA DO POEMA
pois a questão-chave é:
sob que máscara retornará?

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o sonho (o mais caro) dos poetas:
a construção do poema de arquitetura ideal.
a feitura de um poema fantástico, de um poema como um dia claro.
o dia claro, no seu discurso mudo, na sua fala de silêncio, dizendo “nada”, diz “tudo”. pois que o mundo é só exterior; não existem portas que dão para dentro, apenas as que dão para fora. dizendo “nada”, o dia claro diz “tudo”. as coisas às claras, eis o seu discurso. e ponto final.
o sonho dos poetas:
o poema cujo propósito seja o impropositado.
um poema que, a gosto do impropositado, não fosse passível de ser declamado.
o sonho caro dos poetas: dele, do sonho,
acordam.
e, acordando, o sonho-poema, de ideal arquitetura, todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
acordam, do sonho, os bardos.
e toda a estrutura que compõe a arquitetura do poema ideal — o prédio poético de versos…
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O marxismo como teoria “finita”
Meu primeiro contato com Louis Althusser foi no teatro. E foi mágico. A peça chamava-se “O Futuro Dura Muito Tempo” – título também de uma de suas obras . Corria o ano de 1993 e a montagem dirigida por Márcio Vianna (1949-1996) tinha em cena dois grandes: Rubens Corrêa (como o filósofo franco-argelino) e Vanda Lacerda (Helene, sua companheira). Era o palco do simpático teatro Gláucio Gil, na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana. O velho ator, Corrêa, morreu em janeiro de 1996 – ganhara o Prêmio Shell por seu Althusser. O jovem diretor também se foi cerca de um mês depois, aos 46 anos. Vanda Lacerda morreu em julho de 2001. Lembrei do Althusser e da Helene apresentados por Rubens e Vanda na peça de Vianna e preciso registrar, num impulso memorialístico, que o humano é evanescente mas a arte permanece. O texto que reproduzo, a seguir, percorre caminhos parecidos entre a finitude e a abertura histórica que a todos contém. É do filósofo, numa excelente tradução. [Henri Figueiredo – 1º de março de 2016]
ESTADO E POLÍTICA PARA ALTHUSSER
“A idéia de que a teoria marxista é “finita” exclui totalmente a idéia de que ela seja uma teoria “fechada”. Fechada é a filosofia da história, na qual está antecipadamente contido todo o curso da história. Somente uma teoria “finita” pode ser realmente “aberta” às tendências contraditórias que descobre na sociedade capitalista, e aberta ao seu devenir aleatório, aberta às imprevisíveis “surpresas” que sempre marcaram a história do movimento operário; aberta, portanto atenta, capaz de levar a sério e assumir em tempo a incorrigível imaginação da história.”
LEIA a íntegra no LavraPalavra
Por Louis Althusser*, via Marxist.org, traduzido por Márcio Bilharinho Naves.
Em novembro de 1977, na reunião de Veneza sobre Poder e oposição na sociedade pós-revolucionária, Louis Althusser afirmava que não há uma teoria do Estado em Marx. Em março do ano seguinte, Il Manifesto [1] propôs a Althusser que aprofundasse esta questão, deixada em suspenso em Veneza, levando em conta particularmente a discussão em curso na Itália no âmbito da esquerda e, particularmente, o debate ocorrido em Mondoperaio [2] , a entrevista de Giuliano Amato a Pietro Ingrao e os últimos escritos de Biagio De Giovanni em Rinascità. [3]
Com esse objetivo foram enviados a Althusser dois blocos de perguntas. O primeiro ainda dizia respeito à questão do Estado nas experiências revolucionárias já ocorridas; o segundo se referia mais de perto à discussão italiana, particularmente, à discussão teórica na esfera política. Foi perguntado ao filósofo francês o que ele pensava…
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VENCEDORES DO OSCAR 2016
A lista dos vencedores do Oscar 2016
Nadezhda Krupskaya: A emancipação da mulher segundo Lenin
“Militante marxista engajada na fundação do partido social-democrata russo desde 1894, Krupskaya se casa com Lenin quatro anos depois, na Sibéria, quando ambos se encontram presos por suas atividades política. Ao lado de Inessa Armand e Clara Zetkin, esteve à frente da organização das demonstrações pelo Dia Internacional das Mulheres, em 1917. Tal manifestação, que ocorreu no último domingo de fevereiro (8 de março, no calendário gregoriano) foi o estopim da Revolução de Fevereiro, que derrubou o czarismo.”
Por Nadezhda Konstantinovna Krupskaya*, via Marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio.
Militante marxista engajada na fundação do partido social-democrata russo desde 1894, Krupskaya se casa com Lenin quatro anos depois, na Sibéria, quando ambos se encontram presos por suas atividades política.
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A capitulação (mais uma) do governo Dilma diante dos chantagistas do Congresso

POR FERNANDO BRITO · 25/02/2016 no TIJOLAÇO – Título original: “O governo escolheu ser um molambo?”// O resumo da ópera do acordo – o nome correto é capitulação – entre Dilma Rousseff , a oposição e o chantagista Renan Calheiros, que é quem detém o poder de brecar o impeachment empurrado por Eduardo Cunha: no meu governo, o pré-sal não será entregue; depois, seja o que Deus quiser Não se pode deixar de considerar que, se estivesse havendo um combate, poderia ser explicado que estamos dando um passo atrás para dar outros à frente.
Só que não há um combate, há uma deserção ao combate, com a esperança de que, em algum momento, a máquina irá se apiedar e parar seu processo de esmagamento de qualquer projeto, político e econômico, de afirmação soberana do Brasil.
Não vai, é claro.
Embora, por milagres, até os incréus como eu torçam.
O resultado prático é que o Governo (e o PT, malgrado a reação de muitos de seus integrantes) vai se desmilinguindo, se derretendo ainda mais.
E paralisando a reação do povo brasileiro à entrega de sua Petrobras que, admitem, estava mesmo cheia de irregularidades. Veja se algum governo fez isso com a Exxon ou a Shell, ou a BP, que distribuíram dinheiro e fizeram guerras?
Desde quando – isso nas raríssimas vezes que o fizeram – deixaram que a punição pessoal transbordasse para a empresa, que era o braço de seus interesses?
Ainda não é, infelizmente, o corolário de um processo que desprezou, desde há muito tempo e progressivamente, a ideia de que sem o povo como agente político, a história não caminha adiante.
Desde o início do Governo Dilma – não é justo dizer que tenha se inciado com ela, tem raízes muito anteriores – resolveu-se assumir como verdade o discurso do inimigo.
A faxina, desculpem, não foi ideia de Moro.
Mas isso é lá atrás.
Fiquemos nos últimos dois anos: “não vai sobrar pedra sobre pedra”.
Também não é frase do Moro.
Há dois anos este sujeito avança sobre a República. Hoje, tem a República a seus pés.
E o povo brasileiro, depois de passar meses, anos, tentando descobrir onde estão seus líderes, Lula e aquela a quem ele delegou sua continuidade. Não o culpem pelo fato de que se seduza por guizos falsos.
Aprendi, das profundezas gaúchas do Brizola, a expressão “boi sinuelo”, isto mesmo, aquele que tem um sino ao pescoço e sinaliza ao rebanho os perigos, os riscos e as trilhas. Ou, se domesticadíssimo, ao matadouro.
Sinais, não há coletivo animal ou humano que os dispense. Perguntem aos militares antigos o que é “tocar reunir”
O Governo, o PT, Dilma, Lula parecem ter inventado o toque de “dispersar”, que aliás não existe no conjunto de toques militares, porque às suas forças nunca se dispersa.
É que o povo brasileiro, como naquelas profundezas, sente o cheio de raposas e lobos e muitos, ainda, empacam e procuram o sinuelo.
E não encontram o que o compositor gaúcho Leopoldo Raissier, descreveu: E ao contemplar o agora dos seus campos/O lugar onde seu porte ainda fulgura/O velho taura dá de rédeas no seu eu/E esporeia o futuro com bravura…
Cutucando onças com varas curtas – O ensaio desenvolvimentista no primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011-14), por André Singer

Uma filosofia para militantes
Alain Badiou: Você sabe, tem havido uma longa história. Se você pensar a situação no século XIX, você tinha muitos filósofos que eram intelectuais públicos, que tomavam posições públicas sobre muitas questões: contra a tortura e repressão, em apoio dos presos, e muitos outros. Então a ideia de que existe uma relação entre as convicções filosóficas e a ação política tem sido verdade desde o século XIX até hoje.No legado marxista, sempre houve uma relação, mesmo se por vezes dificultosa e contraditória, entre a filosofia dialética – vinda de Hegel e Marx – e a determinação política. E eu penso que esse ponto é especialmente importante hoje, pois no momento presente existe uma fraqueza geral de ideias revolucionárias. E então, quando homens e mulheres se engajam hoje na ação política eles estão em busca de uma orientação.
Por Aaron Hess, via International Socialist Review, traduzido por Daniel Alves Teixeira
Entrevista a Alain Badiou de 11 de Dezembro de 2014, pouco antes dos recentes assassinatos nos escritórios do Charlie Hebdo e em um supermercado judeu. Em resposta a esses eventos, e a onda de islamofobia
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