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Crítica demolidora à tragédia nacional chamada Grupo Globo
JOSÉ CARLOS DE ASSIS é jornalista e economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre a Economia Política brasileira, dos quais o último é “A Razão de Deus”. No dia 16 de março de 2015, publicou na Carta Maior um artigo em que eviscera o modus operandi do Departamento de Jornalismo da Rede Globo de Televisão. Para Assis, este é o exato momento político em que se deve dividir o monopólio da Globo para fomentar um novo jornalismo para o Brasil. Há 51 anos, vivemos histeria midiática semelhante. Não havia a TV Globo, mas ao se completar um ano de golpe midiático-civil-militar, em 1965, Roberto Marinho pôde estrear sua TV – que fazia parte do projeto golpista.
A Globo caminha para a quebra. Se isso acontecer será culpa quase exclusiva de seu Departamento de Jornalismo. É que se alguém quiser se aproveitar da situação para comprar a Globo encontrará a seu favor o mais arrogante, mais pretensioso, mais insolente grupo de “formadores de opinião” como nunca se viu antes na história deste país, e com poderes ilimitados. Isso porque os donos são ausentes ou incompetentes, e nada trava a libertinagem televisiva e jornalística que se enfia goela baixo do cidadão daqui e do exterior, todos os dias, num exercício jamais observado de manipulação política pela via da emoção.
Há dois patamares no caminho da Globo para o fracasso. O primeiro é o Jornal Nacional, ligeiramente mais discreto na sua cruzada diária pela desinformação. Conduzido por William Bonner, que lembra um propagandista de sabonete, traz sempre uma mistura bem preparada de fatos e emoção direcionada para a busca de telespectadores a qualquer custo, mesmo quando esse custo significa subverter a verdade. A distorção a favor dos ricos é limitada apenas pelo medo de perder audiência no horário nobre, na medida em que grande parte dela é de famílias pobres beneficiárias dos programas sociais do PT.
É no Jornal da Globo, contudo, que os noticiaristas e comentaristas da Globo saem do armário. Aí a manipulação da opinião pública passa a ser um jogo aberto. Começa com a figura burlesca de William Wack anunciando todas as pragas do Egito sobre o Brasil. Ele tem, como o JN, prazer em noticiar tragédias, coisas que comovem. Mas, com muitos graus de emoção sobre o Jornal Nacional, despeja na audiência, formada sobretudo por gente de classe média que não tem compromisso com horário no dia seguinte, o que essa audiência enviesada quer ouvir na sua sanha lacerdista de apelos hipócritas contra a corrupção.
Mas William Wack é um casca grossa: manipula o noticiário de acordo com suas preferências pessoais, acrescentando ao sabor da notícia deformada esgares de palhaço de circo. Cabe a Sardenberg um papel aparentemente mais sutil, como me observou Jânio de Freitas, o maior jornalista político do Brasil em atividade, já que ele é mais venenoso por divulgar os conceitos da economia política favoráveis aos ricos dentro de uma carcaça insidiosa de neutralidade técnica, como todo bom charlatão. Ele agrada aos poderosos e ao mesmo tempo engana os pouco pobres que resistem a assistir a tevê até de madrugada.
O Jornal da Globo tem, portanto, uma interação intelectual e moral afetiva com ricos e poderosos. Sua eficácia, conforme Marx, está no fato de que a ideologia da sociedade é a ideologia da classe dominante. Quando a classe dominante dispõe inteiramente da mídia, sem concorrência – porque, no campo da ideologia, a quase totalidade dos maiores jornais, revistas e tevês está do lado e de mãos dada com uma direita sórdida e indiferente aos destinos da sociedade -, o campo político fica inteiramente aberto, inclusive para golpes brancos.
Poderia continuar enchendo laudas e laudas de adjetivos contra a dupla do Jornal da Globo e contra outra dupla igualmente perniciosa para a democracia, os comentaristas do jornal Globo Míriam Leitão e Merval Pereira. Este não merece muita tinta, porque é apenas ignorante – na acepção semântica da palavra. Míriam, porém, como Sardenberg, é astuta. Passa a ideia de que sabe economia, quando o que realmente sabe é identificar economistas de direita, como ela, e dar-lhes espaço franco em sua coluna diária e sórdida na Globo News.
O noticiário econômico brasileiro, de jornal e de tevê, está dominado por entrevistas e artigos de economistas de banco. Galbraith, com sua fina ironia, dizia que não se sentia à vontade para acreditar em opiniões econômicas de quem tem interesse próprio em jogo. A rede Globo e os jornalões, assim como as revistas semanais (exceto Carta Capital), apoia seu noticiário econômico em economistas de banco com o maior descaramento. Assim, são os economistas de banco que estão fazendo a cabeça de milhões de brasileiros sobre economia.
Trabalhei anos na editoria econômica do Jornal do Brasil, de que fui subeditor, e jamais entrevistei um economista de banco. Trabalhei anos como repórter econômico da Folha de S. Paulo e jamais entrevistei, para publicação, um único economista de banco. Agora são esses economistas que dominam o noticiário econômico com seus próprios interesses. Acaso é esse tipo de liberdade de expressão e de opinião publicada que interessa ao Brasil? Ou é o momento em que se deve pensar em dividir o monopólio do Globo e fomentar um novo jornal no Rio para o Brasil?
P.S. Não é do meu estilo fazer ataques pessoais. Entretanto, o Sistema Globo foi dividido em três capitanias, uma para cada herdeiro, e as capitanias em sesmarias, cada uma sob o comando de um jornalista no caso do Departamento de Jornalismo. Assim, não adianta falar, quando se trata de formação de ideologia, de um sistema global. É preciso identificar pessoalmente os donos das sesmarias jornalísticas, como procurei fazer. Não fosse tão grande o Sistema Globo, amainaria minhas críticas. Como é grande demais, e eu muito pequeno, pode perfeitamente suportar o choque!
Breve nota sobre o encontro com Flávio Koutzii e Raul Pont
Na enluarada noite de 5 de março, mais de 200 pessoas, a maioria militantes do PT, estiveram reunidas com os ex-deputados Flávio Koutzii e Raul Pont no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. O tema muito apropriamente sugerido para o debate era “Em defesa da democracia, contra a tentativa de golpe”. A transmissão online do evento teve outros 600 e tantos acessos em suas duas horas de duração. Admito que cheguei aolocal imaginando que encontraria nos participantes o mesmo espírito de unidade e foco parecidos com os que tivemos durante a última eleição, há menos de seis meses, quando os rancores e as mágoas inter-correntes foram deixados em segundo plano em nome da luta maior: reconquistar o governo federal e garantir a continuidade de mais mudanças. A ordem era, até outubro, “Muda Mais”.
Diante do bombardeio midiático sem trégua que o governo federal, em geral, e o PT, em particular, vêm sofrendo e diante da campanha de ódio que recrudesceu também no último semestre, acreditei que o tema proposto [“Em defesa da democracia, contra a tentativa de golpe”] pudesse ao menos alinhar desejos, condutas e intervenções. O vídeo cujo link está no primeiro comentário deste post é onde o tema do debate foi melhor discutido. Evidentemente, Koutzii e Raul, da mesa, tocaram en passant no assunto. A tônica do encontro, contudo, foi a crítica interna aos métodos do partido, de sua tendência majoritária e de suas principais lideranças – na ativa ou não. Ou seja, mais um exercício coletivo da velha vocação autofágica e fratricida. É evidente que o acirrado debate interno, o direito de corrente, a crítica do partido ao governo engrandecem o PT – construído na luta e na disputa constante.
Por outro lado, nos falta foco em momentos cruciais. Somos golpeados na cabeça pela mídia, pelos rentistas, pela direita partidária, pelo conservadorismo de cunho religioso-fundamentalista e, enquanto isso, olhamos para o próprio umbigo. E brigamos com ele num comportamento autista. O que não tinha visto durante a campanha, constatei com tristeza ontem: agressividade desmedida e locuções centrífugas ao tema do debate; capacidade inigualável de colar rótulos na testa de qualquer um que divirja de suas ideias, afinal, “se eu não entendo as razões ou tenho preguiça para o debate, é melhor classificar logo o outro como ‘inimigo'”; a crítica pontual substituída pela bronca generalizada.
Foi uma reunião importantíssima e revelou uma demanda reprimida, uma militância sequiosa do debate e precisando de catarse. Por isso, foi positivo, muito positivo. Afinal, é proibido calar catarses.
Bial, em 1996 e no Reino Unido, sobre a regulação da mídia: “This is democracy…”
Tomei uma decisão já tem meia dúzia de anos mas só agora, em 2015, estou conseguindo cumprir de boa: não publicar nenhum comentário e não entrar em nenhuma polêmica sobre o BBB. Portanto, não é sobre o reality show que quero falar ao mencionar Bial. É que a piada dos inteligentes Marcius Melhem e Marcelo Adnet com ele, na última quinta-feira na estreia do Tá no Ar (a melhor produção de humor da TV brasileira desde o TV Pirata, na minha opinião), pareceu o momento mais fraco da nova temporada. Explico: virou chavão rirem do Pedro Bial devido aos discursos que faz para o BBB, em especial para os dias de eliminação de participantes – o senso comum o considera “incompreensível”. Tenho pena do senso comum. Nos anos em que eu acompanhei o BBB, os discursos do Bial foram bons momentos do programa – vez ou outra rivalizando com as charges (ou crônicas) eletrônicas do Maurício Ricardo, outro talento que a Globo fagocitou, como fez com o Adnet mais recentemente.
Bial é um poeta. Ou um perseguidor da poesia, como ele se autodefine no livro “Crônicas de Repórter” [Ed. Objetiva, 1996]. Comprei este livro à época do lançamento porque já considerava Pedro Bial o melhor texto da TV brasileira. A questão não era concordar ou discordar do funcionário da Globo mas conhecer histórias de um “colega” que tinha estado oito anos como correspondente internacional da quarta maior rede de televisão do mundo.
Hoje, tirei este volume da prateleira ainda incomodado com a pasteurização do texto televisivo e, pior, com a normalidade com que criticam quem escreve bem ou de forma lírica na TV. [Na música, acontece o mesmo com Djavan, um grande poeta que virou piada pelo suposto hermetismo de suas letras.] Bial, como Djavan, não é indecifrável nem hermético – é apenas letrado.
E esta não é uma defesa, até porque os poetas (e as estrelas da Globo) não carecem disto. Eu quero é reproduzir um pequeno trecho da página 31 de “Crônicas de Repórter”, de 19 anos atrás, em que Bial comenta sobre a regulação da mídia no Reino Unido. Para os mais jovens, em especial militantes partidários e ativistas de esquerda, Pedro Bial pode encarnar “O MAL”. Afinal, além de participar do Instituto Millenium [equivalente em 2015 ao que foram o Ibad e o Ipes, em 1964], ele também cometeu a biografia laudatória daquele crápula chamado Roberto Marinho.
Para mim, na década de 90, Bial além de ser um bom repórter de TV, tinha o “qualificativo” de ser filho de imigrantes alemães comunistas – que chegaram no Brasil fugindo do Partido Nazista. Só que uma coisa era ler o trecho abaixo escrito sobre o Reino Unido em meados dos anos 90 e, outra, é lê-lo agora. Parece coisa de ativista pela democratização da mídia no Brasil. Lá vai:
Ah! E como as concessões das emissoras privadas são renováveis a cada seis anos, a ITV, a Televisão Independente daqui, também levou uma bronca pública.
Desta vez, foi por causa de uma entrevista conduzida por seu mais ilustre âncora, o negro Trevor Mac’Donald, com o primeiro-ministro John Major. A autoridade independente de televisão, que fiscaliza as programações, acusou Mac’Donald de ter sido frouxo e subserviente a Major e afirmou que a ITV ofereceu horário político gratuito ao Partido Conservador.
Já imaginaram isso no Brasil? Um órgão de fiscalização mantido pelo Estado, advertindo uma emissora de tevê por causa da conduta pouco firme de seu repórter diante da máxima autoridade do país?
This is democracy…”
Que ironia, não é mesmo? Hoje não apenas “imaginamos” como lutamos por uma “autoridade independente de televisão” que “advirta” quem faz proselitismo político-ideológico em concessão pública de rádio e de TV. Já o Bial… bem, além do BBB, é do Instituto Millenium – que prega exatamente o contrário. Na moral.
Elite brasileira usa a Copa do Mundo para mostrar seu desconforto em ser brasileira
Um texto sensacional que reúne muito das minhas próprias opiniões sobre nosso momento. Leiam!
A Brazilian Operating in This Area
(First of all, thanks for reading and commenting on my previous post. It is already the most popular of this blog’s short history. I was requested to translate it into Portuguese and at first I refused it. Not only I am working loads, but I wanted to avoid the bigotry that usually comes along with enthusiasts of the two main political parties here. And I wanted to avoid denial by that big chunk of the elite which is disengaged with Brazil. But I was convinced to use some of my time in this because someone else could translate and include words I didn’t write. I want Brazilians who don’t speak English to have an original source. This blog is meant to be a bridge between Brazil and foreigners, almost all posts are and will be in English, but I can make exceptions when I want.)
“Abaixo este Brasil atrasado.” É…
Ver o post original 1.700 mais palavras
O QUE ESTAVA TOCANDO NA RÁDIO… no ano em que você nasceu
é o primeiro post que eu republico no meu blog, mas realmente é ótimo. Aproveitem.
Trata-se de um juke box que recupera 60 anos de músicas e que permite ouvir as melodias do ano de seu nascimento ou de qualquer outro ano entre 1940 e 1999. É só clicar:
3 MINUTOS COM BAUMAN: AS AMIZADES DE FACEBOOK
Sociólogo polonês preocupado em compreender a sociedade pós-moderna, Zygmunt Bauman, 87 anos, autor de vários livros em que explica as relações sociais na contemporaneidade, comenta em 3 minutos, em uma de suas conferências que foi concedida para o Fronteiras do Pensamento, porquê nossas relações de amizade no facebook são tão atrativas, fáceis e superficiais.
A SOLIDÃO NA ERA DA CONECTIVIDADE EM REDES SOCIAIS
Uma pessoa se relaciona em média com um grupo de 150 pessoas na vida. Você conhece de verdade ao menos 150 pessoas? Vale a pena assistir a esta animação que traz profundas reflexões sobre nossa vida real e virtual. Ou como, apesar de todas as conexões que a Internet nos permite, a solidão virou a grande doença do mundo contemporâneo.
O mundo com 100 pessoas
A população mundial atingiu 7 bilhões de pessoas. Mas, se o mundo fosse habitado por apenas 100 pessoas, como seria dividido? A população seria exatamente dividida em 50 homens e 50 mulheres. Já a diferença de idade seria maior: 26 crianças e 74 adultos, sendo que 8 destes teriam mais de 65 anos.Na distribuição geográfica, haveria um domínio asiático, com 60 pessoas, e outras 15 africanas, 14 americanas e 11 europeias. Na religião, seriam 33 cristãos, 22 muçulmanos, 14 hindus e 7 budistas. Além disso, 12 seriam praticantes de outras religiões e 12 não estariam ligadas a nenhuma religião.
Com a superioridade asiática, a maior parte da população falaria chinês: 12. Haveria ainda 5 falantes do espanhol, 5 do inglês, 3 do árabe, 3 do hindi, 3 do bengali, 3 do português, 2 do russo, 2 do japonês e ainda 62 pessoas que falariam outras línguas além das mencionadas.
Felizmente, 83 pessoas seriam capazes de ler e escrever, mas a taxa de analfabetismo ainda seria de 17%, e apenas 7 seres humanos teriam um diploma universitário. O uso de computador também seria restrito a 22 pessoas.
Na questão moradia, 77 teriam um lugar para se abrigar do vento e da chuva, mas 23 seriam sem-teto. Haveria ainda 13 pessoas sem acesso à água potável.
Entre estas 100 pessoas, uma estaria morrendo de fome, 15 estariam desnutridas e 21 com excesso de peso – situação que vem preocupando cada vez mais. [100people, Jack Hagley]
Nietzsche

“Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em deixá-lo com vida.”
Crítica severa à internação forçada de dependentes químicos
A principal crítica do grupo é ao Projeto de Lei 7.663/ 2010, do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que altera a Lei Antidrogas para aumentar a pena mínima para traficantes de drogas e prevê a internação compulsória de dependentes. Segundo os signatários do documento, o PL é um retrocesso no debate sobre drogas no Brasil e fere direitos constitucionais. (mais…)



