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Arquivo anual: 2016
Luiz Carlos Maciel e Bernie Sanders: almas gêmeas

Quando cheguei ao Rio de Janeiro pela primeira vez, saído da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, me deslumbrei. Porque era só arrebatamento amoroso por uma mulher e, talvez principalmente, porque o Rio foi um caso de amor ao primeiro raio de sol. O amor da mulher foi infinito enquanto durou mas o enlevo pela cidade desafia até hoje a inexorabilidade do verso de Vinicius. Li certa vez uma suposta resposta do Mario Quintana, mais provinciano do que eu (e talvez por isso, como escreveu Tolstoi, universal), definindo o que mais gostava do Rio: “Os túneis. Neles, eu descanso da paisagem”.
Nessa cidade solar, fui perdendo, aos poucos, o cheiro de churrasco – sem me desprender da identidade mas aprendendo, aos poucos, refiná-la. Mesmo o mais simplório dos cariocas guarda nos modos alguma mesura da Corte. Ao contrário da gente fronteiriça acostumada a rangir ao menor sinal de contrariedade. Somos forjados na desconfiança e temos o espírito do sentinela. O Rio me amaciou o coração ao passo que minhas raízes se aprofundavam na distância – talvez para que eu me mantivesse firme nos propósitos. Virei um cariúcho, com um orgulho sereno. (Se é sereno, ainda é orgulho?)
Em 1994, no início dos meus 20 anos, conheci Luiz Carlos Maciel numa loja de discos raros numa galeria do Leblon, onde trabalha entre vinis que serviram pra mim como um intensivo da história da melhor música contemporânea. Vivia, alguns anos antes, história parecida com a narrada no filme “High Fidelity” (2000) de Stephen Frears.
Naquela loja do Leblon, que pertencia a um compositor baiano que também era produtor musical, conheci pessoalmente Luiz Carlos Maciel: até hoje aclamado e reconhecido pelo cognome “guru da contracultura”. A fama o precedia e o precede. Maciel, à época, tinha algum posto importante na Rede Globo, onde dirigia e orientava os roteiristas, me parece.
Com frequência passava na loja e “se quedava” horas entre os discos de jazz e papos fantásticos com o meu gerente sobre arte, e as suas formas de expressão. Eu apenas ouvia, e apre(e)ndia, hipnotizado.
Estive, no Rio, 10 anos de minha vida – 93 a 95 e 2007 a 2014. Uma coisa que a temporada carioca atenuou, mas minhas raízes gaúchas não deixaram de nutrir, foi a reverência escancarada às referências intelectuais e artísticas.
Por isso, faço esse registro. Preciso compartilhar a beleza que é poder, por uma rede social, me comunicar (me conectar) eventualmente com um sujeito que saiu jovem do RS; foi do círculo de Gláuber Rocha, João Ubaldo Ribeiro e Caetano Veloso na Bahia; trabalhou nos principais jornais brasileiros nos anos 60; fundou o Pasquim e dirigiu a redação da Rolling Stone nos anos 70 – e sofreu a perseguição do regime e resistiu!
Gostaria de estar no Rio nestes dias para participar do curso de roteiro que Maciel está promovendo na cidade. Porque o passado não se extingue e o presente está dado!
Valeu, Maciel pelo (até aqui) único comentário no post de Facebook cujo print reproduzo neste texto. Isso é pra quem sabe! E perdoe-me a tietagem explícita e pública. Sacumé, não sei com você, mas eu posso sair da aldeia, mas a província… ah, a província é global.
O apoio de Michael Moore a Bernie Sanders

BERNIE SANDERS, O “SOCIALISTA DEMOCRÁTICO” Foto: Reuters/Rick WILKING
MEU APOIO A BERNIE SANDERS
Meus caros amigos,
Quando eu era criança, eles disseram que não havia nenhuma maneira deste nosso país de maioria protestante eleger um católico como presidente. Em seguida, John Fitzgerald Kennedy foi eleito presidente.
Na década seguinte, disseram que a América não elegeria um presidente do “Sul profundo”(¹). O último a conseguir isso por si mesmo (e não como vice-presidente) foi Zachary Taylor em 1849. E então nós elegemos Jimmy Carter presidente.
Em 1980, eles disseram que os eleitores nunca escolheriam um presidente divorciado que casou novamente. O país tinha modos muito religiosos para isso, disseram. Bem-vindo, presidente Ronald Reagan, 1981-1989.
Eles diziam que você não poderia ser eleito presidente se não tivesse servido nas Forças Armadas. Ninguém conseguia se lembrar de alguém que não servira eleito Comandante-em-chefe. Ou quem tinha confessado fumar (mas não tragar!) drogas ilegais. Presidente Bill Clinton, 1993-2001.
E, por fim, “eles” disseram que não havia maneira de os democratas ganharem se um homem negro fosse o indicado para a Presidência – e um homem negro cujo nome do meio era Hussein! Os Estados Unidos da América seriam ainda muito racistas pra isso. “Não faça isso!”, pessoas se advertiam discretamente entre si.
BOOM!
Você já se perguntou por que os especialistas, a classe política, sempre afirmam que o povo americano “simplesmente não está preparado” para alguma coisa – e eles estão sempre tão errados? Dizem o que dizem para proteger o status quo. Eles não querem distúrbios.
Tentam assustar as pessoas comuns para que elas votem contra o seu melhor julgamento.
Agora, neste ano, “eles” estão alegando que não há como um “socialista democrático” ser eleito presidente Estados Unidos. Essa é a principal afirmação que chega agora da campanha de Hillary Clinton.
Mas todas as pesquisas mostram Bernie Sanders realmente BATENDO Donald Trump por duas vezes mais votos do que se Hillary Clinton fosse a candidata.
Embora as pesquisas mostrem nacionalmente Hillary batendo Bernie entre os democratas, quando o pesquisador inclui todos os independentes, então Sanders bate Trump com vantagem de 2 por 1 sobre o resultado de Hillary.
A forma como a campanha de Clinton tem atacado Sanders de “socialista” é lamentável – e surda. De acordo com a NBC, 43% dos democratas de Iowa identificam-se mais estreitamente com o socialismo (partilha, ajuda) do que com o capitalismo (ganância, desigualdade). A maioria das pesquisas apontam que os jovens adultos (18-35) em toda a América preferem o socialismo (justiça social) ao capitalismo (egoísmo).
Então, o que é o socialismo democrático? É ter uma verdadeira democracia onde todo mundo tem um lugar à mesa, onde todos têm voz, não apenas os ricos.
O dicionário Merriam-Webster anunciou recentemente que a palavra mais buscada em sua versão on-line em 2015 foi “socialismo”. Se você tiver menos de 49 anos (o maior bloco de eleitores), os dias da Guerra Fria & Commie Pinkos(²) & a Ameaça Vermelha parecem tão estúpidos como o filme “Reefer Madness”.(³)
Se o maior argumento de Hillary a respeito de porque você deve votar nela é “Bernie é um socialista!” ou “Um socialista não pode vencer!”, então ela está perdida.
O New York Times, que admitiu ter criado histórias de armas de destruição em massa no Iraque e nos empurrou para invadir aquele país, já adotou Hillary Clinton – a candidata que votou a favor da Guerra do Iraque. Eu pensei que o Times tinha pedido desculpas e se reformado. O que está havendo?
Bem, o Times gosta que seus candidatos sejam realistas e pragmáticos. E para eles, isso significa Hillary Clinton. Ela não quer acabar com os bancos, não quer trazer de volta a lei Glass-Steagall(4), não quer aumentar o salário mínimo para US$ 15 por hora, não quer o sistema de saúde gratuito como o da Dinamarca. Que é apenas não realista, acho eu.
Claro, houve um tempo em que a mídia dizia que não era “realista” aprovar uma emenda constitucional dando às mulheres o direito de votar. Eles disseram que nunca passaria porque só legisladores homens votariam na emenda no Congresso e nas legislaturas estaduais. Isso, obviamente, significava que nunca passaria. Eles estavam errados.
Disseram uma vez que não era “realista” aprovar uma Lei de Direitos Civis E uma Lei do Direito ao Voto uma depois da outra. A América simplesmente não estava “pronta para isso”. Ambas passaram, em 1964 e 1965.
Há dez anos fomos informados que o casamento gay nunca seria lei do país. Que coisa boa que não demos ouvidos àqueles que nos diziam para sermos “pragmáticos”.
Hillary diz que os planos de Bernie apenas não são “realistas” ou “pragmáticos”. Esta semana, ela afirmou que “um sistema público de saúde nunca, jamais, vai acontecer”.(5) Nunca? Jamais? Uau. Por que não desistir assim?
Hillary também diz que não é prático oferecer universidade gratuita para todos. Você não pode ficar mais prático do que os alemães – e eles são capazes de fazê-lo. Assim como muitos outros países.
Clinton encontrará maneiras de pagar pela guerra e por benefícios fiscais para os ricos. Hillary Clinton foi a favor da guerra no Iraque, foi contra o casamento gay, a favor do Patriot Act(6), a favor do NAFTA , e quer colocar Ed Snowden na prisão. Isso é o bastante para embrulhar sua cabeça, especialmente quando você tem Bernie Sanders como uma alternativa. Ele será o oposto de tudo isso.
Há muitas coisas boas sobre Hillary. Mas é claro que ela está à direita de Obama e vai nos mover para trás, não para frente. Isso seria triste. Muito triste.
Oitenta e um por cento do eleitorado é feminino, de cor ou jovem (18-35). E os republicanos perderam a VASTA maioria de 81% do país. Quem quer que seja o democrata na disputa em novembro próximo vai ganhar. Ninguém deve votar por medo. Você deve votar em quem você acha que melhor representa o que você acredita.
Eles querem assustá-lo com a ideia de que vamos perder com Sanders. Os fatos, as pesquisas, gritam exatamente o oposto: nós temos uma chance melhor com Bernie!
Trump é alto e assustador – e os liberais se assustam fácil. Mas liberais também gostam de fatos. Aqui está um: menos de 19% dos EUA são caras brancos acima de 35 anos. Então acalme-se!
Finalmente, confira este gráfico – ele diz tudo. (Nota: Hillary agora mudou sua posição e é contra TPP – Trans-Pacific Partnership.)

Eu apoiei pela primeira vez Bernie Sanders a um cargo público em 1990, quando ele, como prefeito de Burlington, me pediu para ir até um comício na sua corrida eleitoral para se tornar congressista de Vermont. Eu acho que muitos não estavam dispostos a discursar por um declarado socialista democrático naquele momento.
Provavelmente alguém de seu escritório de campanha cheio de hippies disse: “Eu aposto que Michael Moore vai topar”. Eles estavam certos. Fiz o meu melhor para explicar por que precisávamos Bernie Sanders no Congresso dos EUA. Ele ganhou e eu tenho sido um defensor seu desde então – e ele nunca me deu razão para não continuar com esse apoio. Sinceramente, pensei que nunca escreveria começando com as palavras: “Por favor, vote no senador Bernie Sanders para ser o nosso próximo Presidente dos Estados Unidos da América”.
Eu não pediria isso para vocês se não achasse que nós real e verdadeiramente precisamos dele. E nós precisamos. Talvez mais do que imaginamos.
Atenciosamente,
Michael Moore
Tradução: Henri Figueiredo – Vem comigo no Facebook e no Twitter.
NOTAS DO TRADUTOR
1) Deep South. Extremo Sul ou Sul Profundo.
2) Pinko é uma gíria cunhada em 1925 nos Estados Unidos para descrever uma pessoa considerada simpatizante do comunismo, embora não necessariamente um membro do Partido Comunista. Tem conotação pejorativa e serve para descrever qualquer um percebido como esquerdista ou socialista.
3) “Reefer Madness”, também conhecido como “Tell Your Children”, é um filme-propaganda de 1936 feito para exibição nas escolas contra o uso da maconha e relacionando-a com loucura e violência. Foi dirigido por Louis J. Gasnier.
4) A lei Glass-Steagall, ou ato Glass Steagall de 1933, estabeleceu a Federal Deposit Insurance Corporation, ou agência garantidora de créditos. A lei foi promulgada pela administração de Franklin D. Roosevelt para, basicamente, evitar um colapso financeiro sistêmico (como aquele ocorrido em 1929) e foi fundamental para o New Deal. Em novembro de 1999 foi revogada devido ao lobby do setor financeiro junto ao Congresso dos EUA. O documentário vencedor do Oscar “Inside Job” mostra como a derrubada da lei Glass-Steagall ajudou na grande crise do sistema em 2008. O cancelamento da Glass-Stegall removeu a separação que antes existia entre os bancos comerciais e os de inversão (que, fundamentalmente, especulam com ativos mobiliários de natureza não-exigível).
5) A frase original é “(…) single payer health care will NEVER, EVER, happen.” – O pagamento único de saúde (Single payer healthcare) é um sistema em que o governo, ao invés de as seguradoras privadas, paga por todos os custos de saúde. Sistemas de pagamento único podem contratar os serviços de saúde de organizações privadas (como é o caso no Canadá) ou podem ter e empregar recursos de saúde e pessoal (como é o caso no Reino Unido). O termo “pagador único” descreve apenas o mecanismo de financiamento referente aos cuidados de saúde financiado por um único organismo público a partir de um único fundo.
6) USA PATRIOT Act, a “Lei Patriótica” ou “Ato Patriota” é o decreto assinado por George W. Bush logo depois do 11 de Setembro de 2001, em 26 de outubro de 2001. Permite, entre outras medidas, que órgãos de segurança e de inteligência dos EUA interceptem ligações telefônicas e e-mails de organizações e pessoas supostamente envolvidas com o terrorismo, sem necessidade de qualquer autorização da Justiça, sejam elas estrangeiras ou americanas. Após várias prorrogações durante o governo de George Bush, em 27 de julho de 2011, o presidente Barack Obama sancionou a extensão do USA PATRIOT Act contrariando sua promessa de campanha.
[A principal fonte da maioria das notas foi a Wikipedia em inglês. Todas passaram por edição e checagem em ao menos uma segunda fonte.]
LEIA O TEXTO ORIGINAL “My endorsement of Bernie Sanders“. O documentarista Michael Moore, vencedor do Oscar por “Tiros em Columbine” (2002), divulgou esta carta dirigida aos eleitores norte-americanos na noite de 1º de fevereiro de 2016, durante o Caucus de Iowa – primeira eleição das Primárias à Presidência dos EUA. A apuração final indicou que Hillary teve 49,8% contra 49,6% de Sanders – diferença, portanto, de apenas 0,2%.
MOZART NA SELVA

A gigante do comércio eletrônico Amazon, seguindo os passos da Netflix na produção e transmissão de séries em streaming, lançou todos os 10 episódios da 2ª temporada de Mozart in the jungle no dia 30 de dezembro de 2015. Em 10 de janeiro, a produção ganhou o Globo de Ouro de “Melhor série de comédia ou musical” e o protagonista Gael García Bernal foi o vencedor como melhor ator. Assisti à 1ª temporada – que é de dezembro de 2014 – numa maratona leve e divertidíssima: cada episódio não passa de 30 minutos e, em que pese o revezamento de diretores, o roteiro de Roman Coppola é construído quase como num filme de 5 horas de duração. O universo da música clássica em Nova York é retratado tendo como base a autobiografia da oboísta Blair Tindall (hoje com 55 anos) Mozart in the Jungle: Sex, Drugs, and Classical Music. A mídia especializada informa que a série virou a sensação no meio musical norte-americano, em especial no erudito.
Bernal interpreta o jovem maestro mexicano Rodrigo de Souza, que desde os 12 anos construiu uma carreira internacional como regente-prodígio – tendo passado por várias orquestras em capitais como Buenos Aires e Oslo, por exemplo. Chegando na Big Apple para ocupar o lugar de um veterano (e ególatra) regente na fictícia New York Symphony, o sedutor Rodrigo vai aos poucos vencendo as resistências iniciais com um tremendo carisma e, principalmente, com uma enorme entrega à missão de “viver a música, viver a arte”.
Tirando alguma caracterização inverossímil para qualquer sul-americano, como o personagem andar muitas vezes com a cuia de mate e a garrafa térmica embaixo do braço – o que até poderia ser justificado pelo fato de o maestro Rodrigo ter vivido em BsAs – todas as vezes em que ele pede para a assistente americana lhe preparar o chimarrão (!) soa mais do que forçado. [Nada parecido, porém, como o choque cultural que foi para os colombianos de Antioquia ver Pablo Escobar ser interpretado por um brasileiro de Salvador, na série Narcos – da concorrente Netflix.]
O personagem Rodrigo é baseado no regente venezuelano Gustavo Dudamel, hoje com 35 anos. Não bastasse a geleia geral que os norte-americanos fazem da cultura latino-americana, como se fôssemos homogêneos, aos 20 minutos do 2º episódio da 1ª temporada há uma cena emblemática: Rodrigo (jovem maestro mexicano, repetindo, que viveu na Argentina e na Europa) passeia despreocupado por ruas e parques de Manhattan e a trilha é “Pra não parar de sambar”, do paulista Aleh Ferreira, músico de MPB que, pelo jeito, está com moral em Nova York. A sequência, no entanto, funciona. Acreditem.
Além do humor elegante, a série brinca com os esteriótipos dos músicos eruditos, despe-os das vestes formais e os mostra mundanos como todos nós. A aura aristocrática do universo clássico ganha fortes cores eróticas e psicotrópicas e a trama cria identidade com a massa consumidora da cultura pop. Uma boa série, para se divertir enquanto ouvimos falar de Mozart, Bach, Chopin, Debussy, Stravinsky, Mahler e Sibelius. Não fosse por nenhum dos outros motivos, ao menos por esse último ela já valeria a pena.
*Henri Figueiredo
Notas sobre o capital social em rede, de Raquel Recuero
O CAPITAL SOCIAL EM REDE: Como as redes sociais na Internet estão gerando novas formas de capital social. Contemporânea (UFBA. Online), v. 10, p. 597-617, 2012.
Eu tenho uma professora querida que sempre me disse (não diretamente, mas falando com a turma) que os textos e as leituras acadêmicas ajudavam a compreender melhor a vida. No quinto período da universidade, já estou mais que concordando com ela nesse aspecto – pelo menos nas leituras “de humanas” que faço. E é por isso, também, que acho importante juntar o que me parece muitas vezes separado pelas próprias estruturas: a academia e o mercado. Já citei o Tarcízio Silva num tweet que ele fez sobre isso e aqui ratifico a minha posição de que a universidade tem muito a oferecer aos profissionais de mídias sociais (já que não posso entrar em outros campos onde não estou presente).
Pensando nisso, trouxe esta semana ao blog um texto que já tinha tido contato anteriormente na faculdade e, neste período, aconteceu de ser “leitura obrigatória” (odeio essa expressão, parece condenamento) em…
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Proselitismo político é uma razão para a crise da mídia comercial? Tomara

O Instituto Verificador de Circulação (IVC), que mede a circulação dos jornais brasileiros, divulgou os dados de audiência de publicações como Folha, Globo, Estado de S.Paulo, Estado de Minas, Correio Braziliense e Zero Hora, em 2015; os números revelam que o consumo de informação por esses meios desabou ao longo do ano passado, e não apenas nas edições impressas, como também no digital; uma das explicações para o tombo é a expansão da internet; uma segunda é o modelo de cobrança por conteúdo, que tem pouca receptividade no Brasil; e uma terceira razão pode ser o engajamento político dessas publicações, que optaram por uma agenda extremamente negativa nos últimos anos; Folha caiu 15,1%; Estado 8,9% e Globo 5,5% e ZH 3,5%. (…) Os dados revelam vários fatores. Os jornais, naturalmente, foram afetados pela crise econômica que ajudaram a amplificar. Mas hoje enfrentam uma concorrência crescente de veículos puramente digitais. Além disso, o modelo de cobrança por conteúdo, dos chamados paywalls (muros de cobrança para quem assina determinada quantidade de artigos), tem tido pouca receptividade no Brasil. Um outro fator, que pode vir a ser considerado na análise, é o grau de engajamento político dos jornais da imprensa familiar, que passaram a substituir o jornalismo pelo proselitismo político, afugentando uma parcela de seus leitores. [Material reproduzido do BRASIL 247 e, depois, editado.]
Biblioteca da Esquizoanálise: mais de 350 títulos para download gratuito
“Entre as preciosidades compartilhadas estão diversas obras de Gilles Deleuze (Lógica do Sentido, Diferença e Repetição, Empirismo e Subjetividade…), Félix Guattari (Caosmose, As TrÊs Ecologias, Revolução Molecular…), Michel Foucault (História da Sexualidade v1, v2 e v3, História da Loucura, Vigiar e Punir, As Palavras e as Coisas…), Gregório Baremblitt, Michael Hardt, Toni Negi, Daniel Lins, Suely Rolnik, Peter Pelbart, entre muitos textos e autores importantes.”
JOY – Tributo ao empreendedorismo. Elegia cinematográfica ao capitalismo

Além de passar na Regra de Bechdel/Wallace, o filme rendeu, neste ano, a merecida indicação ao Oscar de melhor atriz para Jennifer Lawrence (nunca antes tão bem e bela em cena). Só quem já abusou do consumo de doutrina política vai permitir que a crítica ideológica ao filme se sobreponha à crítica artística. [Mas podem andar juntas, eu diria – o que, ainda assim, não será o caso aqui nesta breve nota.] “Joy” é anunciado na mídia especializada (e nas dezenas de blogs de críticos amadores da web, inclusive ligados a grandes grupos de comunicação) como uma “comédia dramática”. Diria que muito mais “dramática” – o que faz rir no filme são os costumes. O drama é o moto-contínuo da narrativa de David O. Russell e do próprio mundo de negócios em que vivemos. Não é um filme rebelde ao status quo, como “As sufragistas”, por exemplo. A rebeldia está na inconformidade de uma mulher frente às circunstâncias da vida. O que pode parecer o mesmo, mas não é. Vale assistir.
O jogo de linguagem fascista
Fascismo é uma expressão que vem sendo usada para definir formas espetaculares de exposição de preconceitos raciais, sexuais, de gênero, de classe e vários outros ao nível do cotidiano concreto ou virtual. Podemos lembrar do fascismo italiano e sua imitação dos rituais de poder da Roma antiga. Mas o fenômeno atual caracteriza-se por explosões […]
Fonte: O jogo de linguagem fascista
Comentário da Semana: Folha, ombudsman, um jornal e suas escolhas
“A questão não é de ideologia, mas de substância. Um jornal, como todos deveríamos saber, é um relevo na geleia geral do cotidiano. Sua importância deveria crescer ainda mais nesses tempos de algaravia virtual, onde qualquer um, aparentemente, pode dizer o que bem entende. Um jornal sempre foi e precisaria continuar a ser uma referência de informação e opinião qualificadas. Todo jornal tem sua linha editorial mas, com certeza, deve zelar pelo pluralismo. Porém, precisa elevar o debate, não degradá-lo. Acolher colaboradores sem estofo é oferecer a sua marca para legitimá-los – e degradar-se. Ao tentar identificar-se com o que é “popular” na rede, deixa de ser um relevo e cava sua própria sepultura.”
Sylvia Debossan Moretzsohn
Professora de jornalismo na UFF e pesquisadora do objETHOS
Desde que anunciou, na segunda-feira passada (18/1), a contratação de um jovem líder de um movimento de direita como seu mais novo colunista, a Folha de S.Paulo foi alvo de uma avalanche de protestos nas mídias sociais, com inúmeras declarações de cancelamento de assinatura. A revolta foi assinalada aqui por Lívia Vieira, num artigo que apontava o que estava por trás de toda aquela agitação e mostrava que o jornal talvez não devesse comemorar o número de cliques recebidos por aquela notícia.
Por isso, poucas vezes a coluna da ombudsman foi tão aguardada. E poucas vezes foi tão decepcionante.
A forma pela qual Vera Guimarães Martins tratou o tema provocou nova onda de protestos na internet. Um dos mais contundentes partiu do jornalista e crítico de cinema José Geraldo Couto, que trabalhou por mais de vinte anos…
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“Carol” e “A Garota Dinamarquesa” — Dois filmes de 2015 que devem estar nos currículos do Ensino Médio numa “Pátria Educadora”

*Assistimos, em sequência, dois grandes filmes realizados em 2015. “Carol” e “The Danish Girl”. Numa nação que se quer laica e tolerante, e que aspira a cada vez mais novos avanços civilizatórios, é mais importante e urgente assistir e comentar obras como estas em sala de aula do que perder tempo sendo pautado por representantes do obscurantismo e do atraso como Jair Bolsonaro. — Mais informações sobre os filmes nos próximos dias. Até lá, uma única dica: assistam!