Traduzindo Jabberwocky, de Lewis Carroll
“Para a minha tradução escolhi como primeiro foco manter este tom divertido entre o épico e o brejeiro, tentando preservar o ritmo e o jogo das rimas. Já em sua versão, que considero brilhante e inspiradora, Augusto de Campos dá a impressão de ter posto seu primeiro foco na erudição em torno das palavras, sobretudo, é claro, dos neologismos e do nonsense. São versões paralelas que na minha visão não entram em conflito, mas se complementam. Seguindo uma tradição musical, eu diria que, para mim, Augusto criou uma peça entre o Adagietto e o Andantino, enquanto eu criei algo entre o Andante e o Allegro Moderato… Numa outra visada (ou será risada, no sentido simpático?), o Augusto nacionalizou o poema de Carroll, com o seu “Jaguadarte”, enquanto eu, com o meu “Dragodonte”, joguei-o no meio do “Jurassic Park”… “
[Adaptação do poema Jabberwocky, de Lewis Carroll, feita pelo artista gráfico Eran Cantrell para o segundo volume da antologia Cânone Gráfico: clássicos da literatura universal em quadrinhos. A tradução do texto original ficou a cargo do professor de literatura e colunista do Blog da Boitempo Flávio Aguiar.]
Por Flávio Aguiar.
A tradução de Jabberwocky, de Lewis Carroll, foi uma aventura de interpretação meio surrealista e absolutamente pessoal de uma das obras primas do nonsense literário. Lembrei-me de uma frase do professor canadense Northrop Frye, de quem tive a honra e o prazer de ser aluno, no Victoria College, em Toronto, nos anos 80 do século passado. Ele dizia que um professor atinge sua máxima potência quando pode realizar o que chamava de “improvisação erudita”, isto é, pode improvisar na sala de aula a partir, por exemplo, de uma pergunta que introduz um tema não previsto, com a…
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Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado
“É importante para as pessoas dizerem de que lado estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.”
Uma palestra que explica porque usar nossa imaginação e providenciar para que outros utilizem as suas, é uma obrigação de todos os cidadãos
pelo The Guardian, em 15/10/2013
“Temos a obrigação de imaginar…” Neil Gaiman dá uma palestra anual à Reading Agency sobre o futuro da leitura e das bibliotecas. Fotografia: Robyn Mayes.
É importante para as pessoas dizerem de que lado estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.
E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: sou um escritor…
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19 de janeiro – 34 anos sem Elis. Elis, presente!
AOS NOSSOS FILHOS
[Ivan Lins/Vitor Martins]
Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço, os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos, perdoem a falta de abrigo
perdoem a falta de amigos, os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar
perdoem a falta de escolha, os dias eram assim
E quando passarem a limpo, e quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos, façam a festa por mim
Quando lavarem a mágoa, quando lavarem a alma
Quando lavarem a água, lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores, quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos digam o gosto pra mim
A Burritzia Brasileira

A burritzia brasileira ataca com ódio a intelligentzia brasileira. Aí é processada, saca que vai ser condenada e se borra de medinha. Escreve uma carta de “desculpas” pela qual espera escapar do processo mas expõe mais preconceito, desinformação e o pensamento mais, digamos, “refinado” da burritzia nacional. Um trecho: “O meu insulto foi motivado por sua associação ao PT e ao MST, são eles que eu considero ameaça à nossa dignidade e nossa democracia. Fui motivado pelas mulheres que estão dando à luz nas calçadas, aos velhos sem atendimento nos chãos dos hospitais, e principalmente, aos milhões de pais de famílias impedidos de darem pão e dignidade às suas famílias e vidas, enquanto os políticos patrocinam copas e olimpíadas, e o enriquecimento, e poder pessoal deles”.
A intelectualidade mundial considera que o Brasil não entrou em guerra civil nos anos 80 e 90 justamente por causa da organização, luta e foco do MST, mas a burritzia não sabe disso, nunca foi a um acampamento, não sabe que em todo acampamento a escola é um lugar central e sagrado.
O PT, com sua política social-democrata de inclusão social e redistribuição mínima de renda, foi responsável por tirar milhões da fome, por tirar o Brasil do mapa da fome da ONU e por criar não uma “nova classe média”, como certos marqueteiros gostam de repetir, mas uma nova classe trabalhadora – como bem definiu o sociólogo Jessé Souza.
O PT apostou no consumo e no capitalismo amparado pelo dinheiro público quando subsidiou a indústria automobilística, a linha branca, os produtores de commodities, mas a burritzia brasileira defende o Estado mínimo e acha que o PT é socialista.
A burritzia brasileira acha que mulher dando luz na calçada, gente sem atendimento em chão de hospital e famílias sem dignidade não são consequência de cinco séculos de concentração de renda por uma elite perversa, mas viraram problema, segunda ela, depois dos governos do PT.
A burritzia brasileira ignora que Copa do Mundo e Olimpíada são festas quadrianuais da indústria esportiva – que é capitalista até a medula e quem mais lucra, no evento, junto com as telecomunicações. Para a burritzia, Lula e o PT não podem ser perdoados por terem trazido eventos de repercussão global para o Brasil, junto com turistas e divisas. Para a burritzia nacional, o Brasil precisava continuar sendo apenas um grotão de proporções continentais, “celeiro do mundo”, lugar de mão de obra barata, túmulo da juventude negra massacrada, campo silencioso do nunca erradicado trabalho escravo, imensa mina de onde a elite extrativista retira os recursos para se exibir, sempre cafona, nas avenidas chiques da Europa ou nas praias bregas da Florida.
A burritzia brasileira é cínica, hipócrita, mal formada e mal informada. Ouve sertanejo e despreza samba e MPB; lê Paulo Coelho e se orgulha de ignorar Machado de Assis; critica, sem conhecer, Paulo Freire mas chama Olavo de Carvalho de mestre. A burritzia é a tragédia do Brasil.
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