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Arquivo anual: 2015

Maringoni: É legal à beça colorir as fotos do Facebook

Vale muito, mesmo, a leitura. Grande artigo do Maringoni.

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MaringoniPor Gilberto Maringoni.

É legal à beça colorir as fotos do Facebook! Estamos comemorando uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos.

É medida progressista legalizar a união entre pessoas, qualquer que seja a maneira de se amar.

Não é uma vitória do imperialismo e nem de um governo que massacra países e povos, assim como a conquista dos direitos civis, nos EUA dos anos 1960 também não foi.

As vitórias contra o racismo e a homofobia são vitórias da Humanidade.

A decisão da Suprema Corte dos EUA tem dimensões planetárias, pela posição hegemônica do país no mundo.

A luta pela jornada de oito horas teve seu ponto de virada nas jornadas de Chicago, nos anos 1880. A luta pelos direitos das mulheres tem no país um palco importante.

A música americana – em especial o blues, o jazz e o rock – são ritmos nascidos nas comunidades negras…

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DO SER AO PÓ, É SÓ CARBONO. SOLENE, TERRENO, IMENSO. PERENE, PEQUENO, HUMANO

Lenine-carbono

Em 1993, eu tinha 20 anos e chegava pela primeira vez Rio de Janeiro, amando a mulher e a cidade, a cidade e a mulher que foi o combustível para aquela viagem. Naquele ano, aconteceu de eu conhecer muita gente boa da música, do teatro, de televisão. Aqui eu vou falar de uns poucos e essenciais. Aconteceu também de eu fazer a assistência de produção do lançamento de um disco chamado “Olho de Peixe”, de um cantor e compositor pernambucano que já vivia há anos no Rio: Lenine. O disco era um parceria com um cara que estava celebrado como o reinventor do pandeiro na música brasileira: Marco Suzano. Eu já conhecia o Suzano das apresentações do grupo Religare. Conhecer Lenine foi uma das grandes descobertas artísticas da minha vida. Não sou crítico musical, nem literário, nem me especializei nestes anos de jornalismo na área artística. Então vou ser breve, simples. A arte pra mim sempre foi pra fruir. “Olho de Peixe” me abriu caminhos tanto quanto “Velhos Tempos”, do beat Gary Snyder; ou como “Contato”, do Sagan; como Transa, do Caetano (que é, inclusive, do ano em que nasci…). Pano rápido.

Em 1993 também abracei o bloco Simpatia É Quase Amor que, apesar de sair em Ipanema, ensaiava no Jardim Botânico (ou seria Horto?) no mesmo pavilhão que o bloco Suvaco do Cristo. Num ensaio do Suvaco, conheci um adolescente chamado João – um querido! Amável, inteligente que só e, claro, sensível pacas. Filho de Lenine. Pano rápido (again).

Março de 2009, eu de pé numa lateral do Circo Voador, na Lapa, assistia à apresentação de “Labiata” quando se aproximou, buscando um melhor ângulo do palco, o João Cavalcanti, do Casuarina. Nem sei como começamos a trocar ideia sobre os números musicais . Até que eu admiti que a música que mais me pegava no Labiata era “É fogo”… ainda que gostasse muito de “Martelo Bigorna” e “O Céu É Muito” e de quase todo o disco. Naquela conversa descobri que João tinha se graduado em jornalismo… que coisa! Fade in.

Fade out. 2015. Porto Alegre. Vou ver Lenine e o seu “Carbono” no dia 3 de julho, no Opinião. Toda a narrativa anterior foi só pra dizer que a música que mais “me pegou” neste disco é a primeira parceria gravada de Lenine e de seu filho João: “A Causa e o Pó”.

A dureza real de quem é pedra

Que a volúpia do atrito lapida

Esse brilho tenaz que quase cega

É ventura do ventre da ferida

Quem dirá, migalha de sol

Que o brilho é teu apogeu,

Se ofuscado no caldo das estrelas

O brilho se perdeu?

Sou de estrelas a causa e o pó

Sou de estrelas e só

Do ser ao pó, é só

Carbono

Solene, terreno, imenso

Perene, pequeno, humano

Natureza tão solida de tinta

Que o frágil atrito transporta

Esse risco voraz te faz faminta

E a rasura te move em linha torta

O contraste será troféu

Que teu risco alinhavou

Ou vestida mortalha das estrelas

A VIDA E O DIREITO: BREVE MANUAL DE INSTRUÇÕES

Luis Roberto Barroso*

I. Introdução
Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado “caso do arremesso de anão”. Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: “Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida”. Diante de tal depoimento, o religioso disse: “Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar”. E o ateu responde: “Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida”. Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, “nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos”. Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro.

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: “Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes”. Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: “Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes”. Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: “Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado”. Ao que o segundo sábio respondeu: “a diferença não está no que eu falei, mas em como falei”.

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro.

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa.

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.

VI. A regra nº 5

Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. “As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer”.

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:

1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;

2. A verdade não tem dono;

3. O modo como se fala faz toda a diferença;

4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;

5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:

(i) Fique vivo;

(ii) Fique inteiro;

(iii) Seja bom-caráter;

(iv) Seja educado; e

(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.

Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: “A vida é muito curta para ser pequena”.

*Ministro do Supremo Tribunal Federal.

O ministro Luis Roberto Barroso foi patrono da turma que se formou na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), quando proferiu este discurso, em abril de 2015. Na segunda-feira, 20 de abril, o site de informações jurídicas Migalha publicou no Facebook o texto que, em dois dias, se tornou viral com mais de 47 mil likes.

Ministro do STF Luis Roberto Barroso (Crédito: Fellipe Sampaio /SCO/STF)

Ministro do STF Luis Roberto Barroso
(Crédito: Fellipe Sampaio /SCO/STF)

Por um feminismo que ouça Mallu antes

Sabe feminismo? Eu tô com a visão da autora deste artigo sobre feminismo.

7 de abril: Dia Nacional d@s Jornalistas

7 de abril: Dia do Jornalista

7 de abril: Dia do Jornalista

Hoje este blog completa 2 anos. Nasceu na Rua Conde de Bonfim, na Usina, caminho para o Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro e continua, da Região Metropolitana de Porto Alegre, falando para seus 17 leitores Verissimo, mais uma que te copio. Quando eu comecei em redação de jornal diário, em 1995, a maioria dos colegas eram homens e de Esquerda. Em 2015, a maioria das redações é formada por mulheres (e isso é bom!) mas houve, pela pressão patronal ou pela ideologia em si mesma, uma guinada para a Direita. Verifiquei, na virada do milênio, uma virada também nos propósitos de quem cursava Jornalismo na Universidade. A busca idealista deu lugar, de maneira geral, à busca pelo “glamour” da telinha. A teoria da comunicação, a ética e sociologia perderam espaço para o treinamento técnico que deixava as peças novas prontas pra entrar direto na engrenagem de moer gente da mídia comercial e de massas.

Em duas décadas na lida profissional do Jornalismo, não acredito em “crises”. O sistema capitalista faz das crises seu modus operandi. Portanto, os passaralhos, como o anunciado pelo Estadão nesta semana, estão na estrutura do negócio. Por anos, consegui conciliar a prática diária do jornalismo com a minha militância cidadã por políticas públicas inclusivas, pela cidadania, pelos Direitos Humanos, por transparência e ética na política. Em duas palavras, pela Esquerda. Conceito tão cinicamente rebaixado pela maioria dos profissionais de comunicação do “mercado” que se iludem chamando o patrão de “colega”.

O Jornalismo que pratiquei e pratico, em mídia impressa, televisão e na imprensa sindical, fez com que eu nunca deixasse portas entreabertas, parafraseando Cecília Meireles. Ou as escancarei ou as bati de vez. Como disse a poeta, “pelos vãos, brechas e fendas, passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez”.

A internet, cujo aparecimento no Brasil se deu com início efetivo da minha sobrevivência como jornalista, em meados da década de 90, é o grande alento e a grande notícia desses anos de agruras e alturas. A web me arrancou da letargia dos “empregados”, sacudiu o comodismo assalariado travestido de fidelidade “aos projetos” dos outros e impôs o desafio de criar minha própria audiência. As mídias digitais e as redes sociais foram mais revolucionárias do que as teses políticas e as verdades pré-fabricadas. Adiante!

Crítica demolidora à tragédia nacional chamada Grupo Globo

Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul: economista e presidente do Instituto Mercosul, José Carlos de Assis, durante audiência sobre o tema “Crise, Estado e desenvolvimento: Desafios e perspectivas para a América do Sul”

Dr. J.Carlos de Assis

JOSÉ CARLOS DE ASSIS é jornalista e economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre a Economia Política brasileira, dos quais o último é “A Razão de Deus”. No dia 16 de março de 2015, publicou na Carta Maior um artigo em que eviscera o modus operandi do Departamento de Jornalismo da Rede Globo de Televisão. Para Assis, este é o exato momento político em que se deve dividir o monopólio da Globo para fomentar um novo jornalismo para o Brasil. Há 51 anos, vivemos histeria midiática semelhante. Não havia a TV Globo, mas ao se completar um ano de golpe midiático-civil-militar, em 1965, Roberto Marinho pôde estrear sua TV – que fazia parte do projeto golpista.

A Globo caminha para a quebra. Se isso acontecer será culpa quase exclusiva de seu Departamento de Jornalismo. É que se alguém quiser se aproveitar da situação para comprar a Globo encontrará a seu favor o mais arrogante, mais pretensioso, mais insolente grupo de “formadores de opinião” como nunca se viu antes na história deste país, e com poderes ilimitados. Isso porque os donos são ausentes ou incompetentes, e nada trava a libertinagem televisiva e jornalística que se enfia goela baixo do cidadão daqui e do exterior, todos os dias, num exercício jamais observado de manipulação política pela via da emoção.

Há dois patamares no caminho da Globo para o fracasso. O primeiro é o Jornal Nacional, ligeiramente mais discreto na sua cruzada diária pela desinformação. Conduzido por William Bonner, que lembra um propagandista de sabonete, traz sempre uma mistura bem preparada de fatos e emoção direcionada para a busca de telespectadores a qualquer custo, mesmo quando esse custo significa subverter a verdade. A distorção a favor dos ricos é limitada apenas pelo medo de perder audiência no horário nobre, na medida em que grande parte dela é de famílias pobres beneficiárias dos programas sociais do PT.

É no Jornal da Globo, contudo, que os noticiaristas e comentaristas da Globo saem do armário. Aí a manipulação da opinião pública passa a ser um jogo aberto. Começa com a figura burlesca de William Wack anunciando todas as pragas do Egito sobre o Brasil. Ele tem, como o JN, prazer em noticiar tragédias, coisas que comovem. Mas, com muitos graus de emoção sobre o Jornal Nacional, despeja na audiência, formada sobretudo por gente de classe média que não tem compromisso com horário no dia seguinte, o que essa audiência enviesada quer ouvir na sua sanha lacerdista de apelos hipócritas contra a corrupção.

Mas William Wack é um casca grossa: manipula o noticiário de acordo com suas preferências pessoais, acrescentando ao sabor da notícia deformada esgares de palhaço de circo. Cabe a Sardenberg um papel aparentemente mais sutil, como me observou Jânio de Freitas, o maior jornalista político do Brasil em atividade, já que ele é mais venenoso por divulgar os conceitos da economia política favoráveis aos ricos dentro de uma carcaça insidiosa de neutralidade técnica, como todo bom charlatão. Ele agrada aos poderosos e ao mesmo tempo engana os pouco pobres que resistem a assistir a tevê até de madrugada.

O Jornal da Globo tem, portanto, uma interação intelectual e moral afetiva com ricos e poderosos. Sua eficácia, conforme Marx, está no fato de que a ideologia da sociedade é a ideologia da classe dominante. Quando a classe dominante dispõe inteiramente da mídia, sem concorrência – porque, no campo da ideologia, a quase totalidade dos maiores jornais, revistas e tevês está do lado e de mãos dada com uma direita sórdida e indiferente aos destinos da sociedade -, o campo político fica inteiramente aberto, inclusive para golpes brancos.

Poderia continuar enchendo laudas e laudas de adjetivos contra a dupla do Jornal da Globo e contra outra dupla igualmente perniciosa para a democracia, os comentaristas do jornal Globo Míriam Leitão e Merval Pereira. Este não merece muita tinta, porque é apenas ignorante – na acepção semântica da palavra. Míriam, porém, como Sardenberg, é astuta. Passa a ideia de que sabe economia, quando o que realmente sabe é identificar economistas de direita, como ela, e dar-lhes espaço franco em sua coluna diária e sórdida na Globo News.

O noticiário econômico brasileiro, de jornal e de tevê, está dominado por entrevistas e artigos de economistas de banco. Galbraith, com sua fina ironia, dizia que não se sentia à vontade para acreditar em opiniões econômicas de quem tem interesse próprio em jogo. A rede Globo e os jornalões, assim como as revistas semanais (exceto Carta Capital), apoia seu noticiário econômico em economistas de banco com o maior descaramento. Assim, são os economistas de banco que estão fazendo a cabeça de milhões de brasileiros sobre economia.

Trabalhei anos na editoria econômica do Jornal do Brasil, de que fui subeditor, e jamais entrevistei um economista de banco. Trabalhei anos como repórter econômico da Folha de S. Paulo e jamais entrevistei, para publicação, um único economista de banco. Agora são esses economistas que dominam o noticiário econômico com seus próprios interesses. Acaso é esse tipo de liberdade de expressão e de opinião publicada que interessa ao Brasil? Ou é o momento em que se deve pensar em dividir o monopólio do Globo e fomentar um novo jornal no Rio para o Brasil?

P.S. Não é do meu estilo fazer ataques pessoais. Entretanto, o Sistema Globo foi dividido em três capitanias, uma para cada herdeiro, e as capitanias em sesmarias, cada uma sob o comando de um jornalista no caso do Departamento de Jornalismo. Assim, não adianta falar, quando se trata de formação de ideologia, de um sistema global. É preciso identificar pessoalmente os donos das sesmarias jornalísticas, como procurei fazer. Não fosse tão grande o Sistema Globo, amainaria minhas críticas. Como é grande demais, e eu muito pequeno, pode perfeitamente suportar o choque!

Breve nota sobre o encontro com Flávio Koutzii e Raul Pont

catarses

Na enluarada noite de 5 de março, mais de 200 pessoas, a maioria militantes do PT, estiveram reunidas com os ex-deputados Flávio Koutzii e Raul Pont no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. O tema muito apropriamente sugerido para o debate era “Em defesa da democracia, contra a tentativa de golpe”. A transmissão online do evento teve outros 600 e tantos acessos em suas duas horas de duração. Admito que cheguei aolocal imaginando que encontraria nos participantes o mesmo espírito de unidade e foco parecidos com os que tivemos durante a última eleição, há menos de seis meses, quando os rancores e as mágoas inter-correntes foram deixados em segundo plano em nome da luta maior: reconquistar o governo federal e garantir a continuidade de mais mudanças. A ordem era, até outubro, “Muda Mais”.

Diante do bombardeio midiático sem trégua que o governo federal, em geral, e o PT, em particular, vêm sofrendo e diante da campanha de ódio que recrudesceu também no último semestre, acreditei que o tema proposto [“Em defesa da democracia, contra a tentativa de golpe”] pudesse ao menos alinhar desejos, condutas e intervenções. O vídeo cujo link está no primeiro comentário deste post é onde o tema do debate foi melhor discutido. Evidentemente, Koutzii e Raul, da mesa, tocaram en passant no assunto. A tônica do encontro, contudo, foi a crítica interna aos métodos do partido, de sua tendência majoritária e de suas principais lideranças – na ativa ou não. Ou seja, mais um exercício coletivo da velha vocação autofágica e fratricida. É evidente que o acirrado debate interno, o direito de corrente, a crítica do partido ao governo engrandecem o PT – construído na luta e na disputa constante.

Por outro lado, nos falta foco em momentos cruciais. Somos golpeados na cabeça pela mídia, pelos rentistas, pela direita partidária, pelo conservadorismo de cunho religioso-fundamentalista e, enquanto isso, olhamos para o próprio umbigo. E brigamos com ele num comportamento autista. O que não tinha visto durante a campanha, constatei com tristeza ontem: agressividade desmedida e locuções centrífugas ao tema do debate; capacidade inigualável de colar rótulos na testa de qualquer um que divirja de suas ideias, afinal, “se eu não entendo as razões ou tenho preguiça para o debate, é melhor classificar logo o outro como ‘inimigo'”; a crítica pontual substituída pela bronca generalizada.

Foi uma reunião importantíssima e revelou uma demanda reprimida, uma militância sequiosa do debate e precisando de catarse. Por isso, foi positivo, muito positivo. Afinal, é proibido calar catarses.

Bial, em 1996 e no Reino Unido, sobre a regulação da mídia: “This is democracy…”

livro bial

Tomei uma decisão já tem meia dúzia de anos mas só agora, em 2015, estou conseguindo cumprir de boa: não publicar nenhum comentário e não entrar em nenhuma polêmica sobre o BBB. Portanto, não é sobre o reality show que quero falar ao mencionar Bial. É que a piada dos inteligentes Marcius Melhem e Marcelo Adnet com ele, na última quinta-feira na estreia do Tá no Ar (a melhor produção de humor da TV brasileira desde o TV Pirata, na minha opinião), pareceu o momento mais fraco da nova temporada. Explico: virou chavão rirem do Pedro Bial devido aos discursos que faz para o BBB, em especial para os dias de eliminação de participantes – o senso comum o considera “incompreensível”. Tenho pena do senso comum. Nos anos em que eu acompanhei o BBB, os discursos do Bial foram bons momentos do programa – vez ou outra rivalizando com as charges (ou crônicas) eletrônicas do Maurício Ricardo, outro talento que a Globo fagocitou, como fez com o Adnet mais recentemente.

Bial é um poeta. Ou um perseguidor da poesia, como ele se autodefine no livro “Crônicas de Repórter” [Ed. Objetiva, 1996]. Comprei este livro à época do lançamento porque já considerava Pedro Bial o melhor texto da TV brasileira. A questão não era concordar ou discordar do funcionário da Globo mas conhecer histórias de um “colega” que tinha estado oito anos como correspondente internacional da quarta maior rede de televisão do mundo.

Hoje, tirei este volume da prateleira ainda incomodado com a pasteurização do texto televisivo e, pior, com a normalidade com que criticam quem escreve bem ou de forma lírica na TV. [Na música, acontece o mesmo com Djavan, um grande poeta que virou piada pelo suposto hermetismo de suas letras.] Bial, como Djavan, não é indecifrável nem hermético – é apenas letrado.

E esta não é uma defesa, até porque os poetas (e as estrelas da Globo) não carecem disto. Eu quero é reproduzir um pequeno trecho da página 31 de “Crônicas de Repórter”, de 19 anos atrás, em que Bial comenta sobre a regulação da mídia no Reino Unido. Para os mais jovens, em especial militantes partidários e ativistas de esquerda, Pedro Bial pode encarnar “O MAL”. Afinal, além de participar do Instituto Millenium [equivalente em 2015 ao que foram o Ibad e o Ipes, em 1964], ele também cometeu a biografia laudatória daquele crápula chamado Roberto Marinho.

Para mim, na década de 90, Bial além de ser um bom repórter de TV, tinha o “qualificativo” de ser filho de imigrantes alemães comunistas – que chegaram no Brasil fugindo do Partido Nazista. Só que uma coisa era ler o trecho abaixo escrito sobre o Reino Unido em meados dos anos 90 e, outra, é lê-lo agora. Parece coisa de ativista pela democratização da mídia no Brasil. Lá vai:

Ah! E como as concessões das emissoras privadas são renováveis a cada seis anos, a ITV, a Televisão Independente daqui, também levou uma bronca pública.

Desta vez, foi por causa de uma entrevista conduzida por seu mais ilustre âncora, o negro Trevor Mac’Donald, com o primeiro-ministro John Major. A autoridade independente de televisão, que fiscaliza as programações, acusou Mac’Donald de ter sido frouxo e subserviente a Major e afirmou que a ITV ofereceu horário político gratuito ao Partido Conservador.

Já imaginaram isso no Brasil? Um órgão de fiscalização mantido pelo Estado, advertindo uma emissora de tevê por causa da conduta pouco firme de seu repórter diante da máxima autoridade do país?

This is democracy…”

Que ironia, não é mesmo? Hoje não apenas “imaginamos” como lutamos por uma “autoridade independente de televisão” que “advirta” quem faz proselitismo político-ideológico em concessão pública de rádio e de TV. Já o Bial… bem, além do BBB, é do Instituto Millenium – que prega exatamente o contrário. Na moral.

A CINZA DAS HORAS

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Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.


Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.

Teresópolis, 1912
MANUEL BANDEIRA

Programação Carnaval 2015

Um grande guia do carnaval do Rio. Trabalho árduo, suado e de quem conhece por dentro a dinâmica dos melhores blocos.

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brejeiro

Ta aí o que você queria… Mais uma vez preparei uma programação pegada para o meu/nosso carnaval com algumas dicas…

Tinha até escrito dicas de segurança, vestuário e fantasia, mas devido a problemas com o wordpress eu perdi tudo e não estou afim de escrever outra vez.

E, mais uma vez, uma programação pop-cult-locurage-bacaninha, que modestamente este folião prepara.

No último ano fizemos uma inovação, colocando uma programação com várias alternativas, que se manteve.

Seguem as dicas:
SEXTA/TARDE:

SAMBA*: Carmelitas/Almirante Alexandrino (em frente ao CEAT em direção ao cristo) – 15h as 19h – Sta. Tereza. Bloco tradicional quediminuiu com a mudança de local da concentração. O ideal é ficar entre o Carro principal e o carro de apoio da frente. Subir pelo Cosme Velho!
NÃO IR: Bloco dos Aposentados – Tipo Bloco de tiazona e do Vovô.

SEXTA/NOITE:

SAMBA: Bloco Rival sem Rival/Rua Alvaro Alvim em frente ao Rival na cinelândia…

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